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Fábio Penteado

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BIOGRAFIA

Fábio Penteado (Campinas SP 1929 - São Paulo SP 2011)

Arquiteto.

Fábio Moura Penteado ingressou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie em 1948, formando-se em 1953. No ano seguinte abre seu escritório, recebendo o Prêmio Governador do Estado no 3º Salão Paulista de Arte Moderna (1954) com o projeto da Estação de Tratamento de Água para o ABC (1954, São Bernardo), realizado com Ringo Kubota. Em 1956, transfere o escritório para o edifício-sede do departamento paulista do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), em 1947, onde permanece até 2001. Alguns trabalhos importantes de sua autoria são a Sede Harmonia de Tênis (1964), em São Paulo, tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), em 1992, e a Torre do Anhangabaú (1994), premiado na 7ª Trienal Mundial de Arquitetura em Sófia, na Bulgária.

Ao longo de sua carreira, Penteado se envolve com as políticas de regulamentação e afirmação da profissão, assumindo a direção de Relações Internacionais do Conselho Superior do IAB (1958) e a presidência do instituto em alguns biênios. Como representante do IAB, atua no Comitê Executivo e no Conselho Superior da União Internacional dos Arquitetos (UIA), de 1969 a 1975, participando de reuniões de trabalho em diversas capitais, como Cidade do México, Washington, Paris, Moscou, Praga, Berlim, Beirute, Sófia e Nova Délhi, dedicadas à formação de quadros técnicos para os problemas enfrentados pelos países do chamado Terceiro Mundo.

Ainda integrada a essas políticas, está a atuação de Penteado como editor da revista Visão, de 1956 a 1962, na qual busca introduzir "a arquitetura na esfera dos interesses dos empresários nacionais, abordando também suas questões econômicas e políticas, além de traduzir sua linguagem para o público leigo". Entre as reportagens de maior destaque estão as dedicadas ao nascimento de Brasília, uma delas classificada em segundo lugar do Prêmio Esso de Jornalismo (1956)1.

Em virtude dessa experiência, é convidado, em 1972, para assumir a direção do jornal Arquiteto, publicado pelo sindicato em associação com o IAB. Permanece no cargo até 1977, quando o jornal é transformado na revista Projeto, onde atua por pouco tempo, também como diretor. Faz parte dessas políticas, o programa Arquitetos na TV, dirigido por Penteado, Eduardo Kneese de Mello (1906-1994) e Oswaldo Corrêa Gonçalves (1917 - 2005), exibido pela antiga Excelsior, entre 1961 e 1962. Além dessas atividades, dirige a 2ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, em 1993, permanecendo como diretor da Fundação Bienal até 1995, além de dar aulas de desenho na FAU/Mackenzie de 1961 a 1964, quando é afastado do cargo pela ditadura militar.

Como reconhecimento de seu trabalho, é eleito Membro Honorário do Colégio dos Arquitetos do Peru e do Colégio de Arquitetos do México, em 1969, e do American Institute of Architects (AIA), em 1973, recebendo do IAB o Grande Colar de Mérito em 1968.

Comentário crítico

Incorporando-se de modo autônomo à Escola Paulista a partir dos anos 1960, Fábio Penteado concebe projetos que incorporam os princípios centrais dessa escola, ao mesmo tempo em que, do ponto de vista plástico, deles se distancia. É com os projetos da Hotel Praia do Peró (1958, não construído), em Cabo Frio - RJ, o Fórum de Araras (1960) e o Teatro Municipal de Piracicaba (1961, não construído) que o arquiteto desenvolve a sua expressividade e elabora os princípios que norteiam a sua produção: adequação do edifício ao usuário, de forma que se criem espaços de convivência em que ele se sinta confortável, além do cuidado com a fluidez dos espaços internos, a integração do programa de necessidades do edifício e de seus espaços à dinâmica urbana e à paisagem.

Em Cabo Frio, Penteado busca uma alternativa à organização espacial usual dos hotéis de praia que garanta o contato com a natureza e um estado de relaxamento e de lazer contínuo. Dessa forma, o arquiteto desenha um edifício de dois pavimentos sem corredores nem elevadores, em que as áreas de convivência do térreo se integram à paisagem por amplas janelas e varandas, o mesmo ocorrendo com os quartos localizados no andar superior. Os dois andares são interligados por uma rampa central implantada em meio a um jardim. Pode-se dizer que é a partir desse núcleo de circulação e convivência que o arquiteto desenha o edifício, tanto do ponto de vista da organização dos espaços, como da construção da volumetria. O mesmo ocorre no Complexo Turístico de San Sebastián (1965, não construído), na Espanha, realizado com Alfredo Paesani (1931), Haron Cohen, Eurico Prado Lopes (1939-1985) e José Carlos Ribeiro de Almeida (1938-2005), e no Centro de Abastecimento de Autopeças (1959, não construído), realizado com José Ribeiro. Essa solução é adotada também no Mercado do Portão (1965, não construído), em Curitiba, projetado com José Ribeiro; e no Parque dos Anciãos (1968, não construído), em Campinas, realizado com o mesmo arquiteto e Teru Tamaki, ainda que de modo um pouco diverso, pois o centro nesses projetos se converte em uma praça descoberta ao redor da qual se distribuem os edifícios.

O Fórum de Araras é pensado como um contraponto aos fóruns existentes no país, construídos com pés-direitos, portais e colunatas monumentais, intimidando os usuários, do ponto de vista do arquiteto. O fórum é desenhado como uma praça "onde as pessoas podem sentar e conversar", coberto com uma laje de concreto armado sob a qual se distribuem três blocos com usos distintos. Um para o auditório, destinado às audiências, mas também às apresentações de música e teatro; outro circular para a escada e a caixa d'água; e um último de dois andares para a administração. O térreo abriga os serviços vinculados ao público, todos voltados à praça, e o andar superior concentra as atividades que merecem mais segurança.

O partido arquitetônico é característico da chamada escola paulista, com uma grande cobertura em concreto armado com poucos apoios e iluminação zenital, sob a qual se distribui o programa. Ele também é adotado em outro projeto, como no edifício da Sociedade Harmonia de Tênis (1964), realizado com Teru Tamaki e Alfredo Paesani em São Paulo. Segundo o crítico Jorge Czajkowski, no Clube Harmonia o arquiteto emprega dois recursos arquitetônicos que garantem a fluidez e o aconchego dos espaços. "O primeiro é a desmaterialização do invólucro, que - de sólido e fechado, quando visto de fora - passa a ser quase imaterial para quem está dentro, filtrando magicamente a luz através de domos translúcidos e toldos reguláveis. O segundo é a articulação do solo, tratada numa sequência contínua de planos que sobem do nível da rua ao nível da piscina, as várias atividades atribuídas em patamares que lhes asseguram a escala e o isolamento apropriados sem quebra do grande espaço unitário".2 Esses mesmos recursos são utilizados no Hospital-Escola Júlio de Mesquita Filho (1968), realizado com Teru Tamaki, Eduardo de Almeida (1933), Maria Giselda Visconti, Luiz A. Vallandro Keating, José Borelli Neto, Tito Lívio Frascino e Hércules Merigo em São Paulo. Também na Catedral Presbiteriana de Brasília (1965), concebido com José Ribeiro, com vitrais coloridos que redesenham o espaço conforme a trajetória solar.

A busca de integrar o edifício à cidade, de garantir fluidez e ao mesmo tempo a especificidade dos ambientes conforme seus usos com o escalonamento dos pavimentos, além de criar um ponto central no qual se organiza o programa e a volumetria é retomado no Teatro Municipal de Piracicaba. Dessa vez, a intenção do arquiteto é realizar um teatro-praça aberto à população mesmo quando o teatro estivesse fechado, porque "haveria acesso a uma biblioteca e o foyer seria simultaneamente um salão de exposições, incluindo ainda um café - que se abriria para um terraço, culminando em um pequeno anfiteatro ao ar livre"3. Essa proposta é retomada no Centro de Convivência Cultural de Campinas (1967-1968), realizado com Alfredo Paesani, Teru Tamaki e Aldo Calvo. Diferentemente do previsto no teatro de Piracicaba, cuja composição é desenhada por planos e volumes circulares que se sobrepõe a partir de um ponto central que é o palco fechado, em Campinas o arquiteto coloca no centro uma arena rodeada por arquibancadas trapezoidais que abrigam o programa do centro de convivência.

Do ponto de vista da volumetria, apenas o Fórum de Araras e a Sociedade Harmonia de Tênis dialogam mais diretamente com a escola paulista. Os demais projetos se destacam dessa escola por uma volumetria movimentada e escalonada, marcada por um formalismo identificado também na obra do arquiteto Ruy Othake (1938). A trajetória do arquiteto merece destaque também pela atuação à frente do IAB, onde luta pela nacionalização do instituto e pela regulamentação dos arquitetos estrangeiros. Além disso, sua atuação na revista Visão, no Jornal do Arquiteto, na revista Projeto e no programa Arquitetos na TVé importante para divulgação da profissão e da arquitetura moderna no país.

1 Fábio Penteado, Fábio: ensaios de arquitetura. São Paulo: Empresa das Artes, 1998, p. 25.
2 Jorge Czajkowski apud Fábio Penteado, Fábio Penteado: ensaios de arquitetura. São Paulo: Empresa das Artes, 1998, p. 175.
3 Fábio Penteado, op. cit., p. 92.

Fonte: Itaú Cultural

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