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Elisa Bracher

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BIOGRAFIA

Elisa Bracher (São Paulo SP 1965)

Escultora, gravadora e desenhista.

É formada em artes plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado - Faap, em São Paulo. Durante o último ano da faculdade, faz curso de gravura em metal com Evandro Carlos Jardim (1935). Em 1989, torna-se professora de desenho e gravura na Faculdade de Artes Plásticas da Faap. Trabalha com gravura, realizando obras abstratas, com leve tendência construtiva, no começo da década de 1990. Em paralelo, inicia a realização de trabalhos tridimensionais em metal. Em seguida, passa a utilizar a madeira em suas obras, optando com freqüência por materiais velhos, desgastados pelo tempo. Já em esculturas monumentais, realizadas entre 1998 e 1999, emprega troncos de madeira. Com o auxílio de uma equipe de marceneiros, retira a casca das toras e as regulariza, por meio de serras, para compor seus trabalhos. Em 1998, a editora Cosac & Naify publica o livro Madeira sobre Madeira, com texto do crítico de arte Rodrigo Naves acerca da sua produção.

Comentário Crítico

Para o crítico Rodrigo Naves, o esforço para alcançar formas amplas e expansivas parece marcar toda a trajetória de Elisa Bracher. No começo da década de 1990, ela trabalha com gravura, realizando obras abstratas, com leve tendência construtiva. Simultaneamente, desenvolve obras tridimensionais. Como aponta Naves, na série de esculturas de cobre, feitas em 1993, a artista consegue, com mais êxito, transpor para o espaço questões que a mobilizaram na gravura. As peças são compostas de barras de cobre, que, moldadas por maçarico, se tornam meio carcomidas, aproximando-se das obras de Alberto Giacometti (1901 - 1960), embora se abrindo para o espaço.

Em seguida, Bracher trabalha com madeira. Suas obras adquirem nova dimensão com o uso de toras velhas e gastas, o que confere às peças um caráter afetivo. Com as esculturas apresentadas na Galeria Camargo Villaça, em 1997, ela passa a privilegiar o volume dos materiais. Nesses trabalhos, reata certas questões construtivas e cria um jogo entre unidade e multiplicidade, peso e leveza.

Nas esculturas monumentais realizadas entre 1998 e 1999, a artista utiliza troncos de madeira, dos quais retira a casca e os regulariza com serras. Para Naves, há nessas obras uma tensão entre contenção e extravasamento, entre regularidade e instabilidade, que é o elemento fundamental de suas esculturas. Elas retiram sua força de um certo desequilíbrio. São feitos alguns encaixes, mas não ocorre entre as peças um acoplamento sereno. À medida que se contornam suas obras, tem-se a impressão de um permanente reequilíbrio e de um movimento inesperado e original.

Para o crítico, existe um diálogo com as obras de Sérgio de Camargo (1930 - 1990) e de Amilcar de Castro (1920 - 2002), na clareza e determinação das relações que comandam as esculturas de Bracher. Nas esculturas desses três artistas o processo de construção dos trabalhos se revela com clareza ao observador, ainda que com significados diversos.

Críticas

"São esculturas feitas de madeira. Não cabe lugar a dúvidas. Das árvores de que elas provieram não restam porém senão alguns vestígios vegetais: os veios irregulares, o aspecto pouco uniforme das superfícies, as marcas de um desenvolvimento orgânico e vital. Os troncos foram regularizados por serras, submetidos a contornos rigorosos e estritos. Servem agora para fazer outras coisas. Não voltarão a crescer. E no entanto, as toras parecem prontas a refolhar de um momento para o outro. Os enormes barrotes de madeira seca contêm ainda uma energia que não se exauriu e podem mesmo voltar a florir. Esse jogo de contenção e extravasamento, entre regularidade e vigor me parece o elemento fundamental das esculturas de Elisa Bracher. O sistema formal que o movimenta precisa porém operar com grande precisão, para que as obras não se convertam em mais um simples exercício de contrapesos. Essas esculturas retiram sua força de um certo desequilíbrio. Com tudo não é um repouso precário e momentâneo que as caracteriza. Ao contrário, as toras de madeira se articulam umas nas outras em busca de um contato mais estável. E os enormes parafusos que unem as peças contribuem para esse movimento. Uma espécie de lenta rotação domina esses trabalhos, como se aos poucos fosse possível obter uma unificação entre os diferentes troncos".
Rodrigo Naves
BRACHER, Elisa. Madeira sobre madeira. Texto Rodrigo Naves; fotografia João Luiz Musa. São Paulo : Cosac & Naify, 1998. 120 p. : il. color.  p. 27

Exposições Individuais

1991 - São Paulo SP - Individual, na Fundação Bienal
1991 - São Paulo SP - Individual, no CCSP
1993 - São Paulo SP - Individual, na Galeria André Millan
1995 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Espaço Cultural dos Correios
1997 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Camargo Vilaça
1998 - São Paulo SP - Individual, na Pinacoteca do Estado
1999 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Paço Imperial
2000 - São Paulo SP - Individual, no Centro Universitário Maria Antonia
2001 - Belo Horizonte MG - Individual, no Celma Albuquerque Galeria de Arte
2001 - Berlim (Alemanha) - Individual, no Instituto Cultural Brasileiro na Alemanha
2003 - São Paulo SP - Individual, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

Exposições Coletivas

1988 - Curitiba PR - 8ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba
1990 - Curitiba PR - 9ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba, no Museu da Gravura - prêmio aquisição
1991 - Belo Horizonte MG - 12º Salão Nacional de Artes Plásticas - prêmio aquisição
1991 - Brasília DF - Prêmio Brasília de Artes Plásticas 1991/12º Salão Nacional de Artes Plásticas, no Museu de Arte de Brasília - prêmio artes plásticas Brasília - medalha Miro/Picasso outorgada pela Unesco
1991 - São Paulo SP - Programa de Exposições de Artes Plásticas, no CCSP
1992 - Curitiba PR - 10ª Mostra da Gravura da Cidade de Curitiba/Mostra América, no Museu da Gravura - prêmio aquisição
1992 - Rio de Janeiro RJ - Gravidade e Apariência, no MNBA
1992 - Rio de Janeiro RJ - Prêmio Brasília de Artes Plásticas 1991/12º Salão Nacional de Artes Plásticas, na Fundação Nacional de Arte. Centro de Artes
1992 - São Paulo SP - Coletiva com Herman Tacasey e Mariannita Luzzati, no MAM/SP
1992 - São Paulo SP - Galeria Millan: mostra inaugural (1992 : São Paulo, SP) - Galeria Millan (São Paulo, SP) 
1992 - São Paulo SP - Gravuras (1992 : São Paulo, SP) - Museu de Arte Moderna (Ibirapuera, São Paulo, SP) 
1994 - Brasília DF - 2ª VentoSul: mostra de artes visuais integração do Cone Sul, Ministério das Relações Exteriores
1994 - Cascavel PR - 2ª Vento Sul, mostra de Artes Visuais, Integração do Cone Sul, no Centro Cultural Gilberto Mayer
1994 - Cascavel PR - 2ª VentoSul: mostra de artes visuais integração do Cone Sul, no Paço das Artes
1994 - Rio de Janeiro RJ - 2ª VentoSul: mostra de artes visuais integração do Cone Sul
1995 - São Paulo SP - Entre o Desenho e a Escultura, no MAM/SP
1996 - Rio de Janeiro RJ - Novas Aquisições, Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ
1996 - Salvador BA - 3º Salão de Arte Contemporânea, no MAM/BA - prêmio aquisição
1996 - Salvador BA - 3º Salão MAM-Bahia, no MAM/BA
1996 - São Paulo SP - Esculturas ao Ar Livre, na Galeria das Esculturas do CCSP
1997 - Curitiba PR - A Arte Contemporânea da Gravura, no Museu Metropolitano de Arte de Curitiba
1997 - Curitiba PR - Exposição Acervo, na Galeria Casa da Imagem
1997 - Salvador BA - Workshop 97 artistas Alemães e Brasileiros, no MAM/BA
1998 - Rio de Janeiro RJ - Coleção MAM Bahia: arte contemporânea, no MAM/RJ
1998 - Rio de Janeiro RJ - O Beijo, no Paço Imperial
1998 - São Paulo SP - Múltiplos, na Valu Oria Galeria de Arte
1999 - Rio de Janeiro RJ - Mostra Rio Gravura. Plano Marcado, no Centro Cultural Candido Mendes. Grande Galeria
1999 - Rio de Janeiro RJ - Os 90, no Paço Imperial
2000 - Curitiba PR - 12ª Mostra da Gravura de Curitiba. Marcas do Corpo, Dobras da Alma
2000 - Rio de Janeiro RJ - Mês da Gravura, na Galeria Cândido Mendes
2000 - São Paulo SP - Coletiva com Laura Vinci, no Centro Universitário Maria Antonia
2000 - São Paulo SP - Escultura Brasileira: da Pinacoteca ao Jardim da Luz, na Pinacoteca do Estado
2000 - São Paulo SP - Leituras Construtivas, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud
2001 - Belo Horizonte MG - Coletiva com Cristina Rogozinski, na Celma Albuquerque Galeria de Arte
2001 - Bordeaux (França) - Arte Contemporânea Brasileira
2002 - Fortaleza CE - Ceará Redescobre o Brasil, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
2002 - São Paulo SP - 12 Esculturas, no Galpão de Design
2002 - São Paulo SP - 20 Artistas / 20 Anos, no CCSP
2002 - São Paulo SP - Genius Loci: o espírito do lugar
2003 - São Paulo SP - A Gravura Vai Bem, Obrigado: a gravura histórica e contemporânea brasileira, no Espaço Virgílio
2004 - São Paulo SP - Arte Contemporânea no Acervo Municipal, no CCSP
2004 - São Paulo SP - Arte Contemporânea: uma história em aberto, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud
2004 - São Paulo SP - Lambe-Lambe, no Atelier Piratininga

Fonte: Itaú Cultural

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