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Eduardo de Almeida

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BIOGRAFIA

Eduardo Luiz Paulo Riesencampf de Almeida (São Paulo SP 1933)

Arquiteto, designer e professor.

Em 1960, forma-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP, escola em que leciona a partir de 1967, nas cadeiras de desenho industrial e projeto de edificações, e se aposenta, em 1998. Em 1962, cursa desenho industrial e história da arte e da arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Florença, na Itália. Associado anteriormente a arquitetos como Arnaldo Martino, Sérgio Bernardes (1919-2002), Arthur Fajardo Netto, Henrique Pait, Ludovico Martino e Dácio Ottoni, trabalha sozinho desde 1987.

Inspirado primeiramente pela obra de Frank Lloyd Wright (1867-1959), aproxima-se da arquitetura norte-americana com influência de Ludwig Mies van der Rohe (1886-1969), particularmente importante em São Paulo nos anos 1950 e 1960. Vem daí a freqüente associação da sua obra com conceitos como "elegância", "clareza" e "rigor", e sua obsessão pela modulação geométrica associada ao uso de componentes construtivos, como o bloco de concreto ou o tijolo cerâmico. Completa a sua formação a convivência na FAU/USP, e a proximidade com a "escola paulista", liderada por Vilanova Artigas (1915-1985), marcada pela criação de grandes espaços associados ao uso do concreto armado e aparente.

De sua obra inicial, destacam-se a Residência Tassinari, 1964/1973, influenciada pelo brutalismo de Le Corbusier (1887-1965), e o conjunto de edifícios modulares Gemini, 1969/1970, vencedor na categoria Habitação Coletiva - Obra Construída, na premiação anual do Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB, em 1974. Em seguida, constrói verdadeiros marcos para a arquitetura residencial em São Paulo, como as casas Sigrist, 1973, Define, 1976, e sua própria residência, 1974. Com projetos residenciais, é premiado na 4ª e 5ª Bienais de Arquitetura de São Paulo, 1999 e 2003, e no concurso Bticino Interior da Arquitetura, em 1999. É o vencedor no Concurso de Anteprojetos para o Novo Campus da Fundação Getúlio Vargas, 1995, e recebe menção honrosa no Concurso Internacional de Projetos para o Museu Costantini, 1997, em Buenos Aires. Desde 2001 desenvolve o projeto para o Centro Universitário Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na USP, em parceria com Rodrigo Mindlin Loeb.

Comentário crítico

Autor de projetos residenciais importantes, como a casa que constrói para sua família, 1974, as residências Sigrist, 1973, e Define, 1976, Eduardo de Almeida é um arquiteto cuja obra é normalmente associada a termos como "precisão", "clareza", "rigor" e "discrição". É que, apesar de estar próximo dos arquitetos brutalistas de São Paulo, Almeida não se identifica com a arquitetura que define seu partido pelo princípio estrutural ou pelo compromisso político-ideológico. Adepto da abstração formal e do apuro construtivo, admite ter em Frank Lloyd Wright (1867-1959) a sua referência principal e primeira, sobretudo no que toca à sensibilidade do arquiteto americano diante dos materiais e na relação que estabelece entre o edifício e a natureza. Honesto ao descrever seu processo de criação, Eduardo declara trabalhar sempre com referências: "eu nunca me atreveria a inventar nada", diz.1

Como não tensiona expressivamente a estrutura, também não procura forçar a técnica na obtenção de lajes com dimensões mínimas, ou vãos muito grandes. Ao contrário, raciocina com base no componente, modulando muitas vezes o desenho da construção inteira desde a unidade construtiva: o tijolo cerâmico ou o bloco de concreto. É o que ocorre, por exemplo, no projeto da própria casa, em que as dimensões do bloco definem toda a geometria adotada, tornando-se uma unidade tanto construtiva quanto dimensional. Trabalhando com rampas a lajes em meios níveis, o arquiteto explora o conceito de "passeio contínuo", definindo um material único para o piso da casa e desenhando os fechamentos verticais como planos íntegros, rompidos apenas por aberturas que se estendem de piso a teto, como gretas, e não figuras geométricas fechadas como janelas e portas. Coerente com esse princípio de planaridade radical, desenha portas de vidro sem esquadrias ou montantes, fixadas apenas em discretos perfis metálicos em forma de "L". Em suas palavras, "o detalhe bonito é aquele que não se vê",2 absolutamente resolvido no desenho e, portanto, imperceptível visualmente.

Com uma planta rigorosamente quadrada, suportada por doze pilares, e um pátio interno quadrado mas excêntrico, a casa Define explora o tema da continuidade espacial com influência do projeto de Paulo Mendes da Rocha (1928) para a residência James Francis King, 1972, também em São Paulo. Almeida é um arquiteto que projeta indiscutivelmente com base na planta, assim como Ludwig Mies van der Rohe (1886-1969), com quem partilha o interesse pela precisão construtiva, e a obsessão em resolver da forma mais limpa possível o encontro entre planos e materiais diferentes, de modo a tornar o arremate discreto. Tal relação se torna explícita em suas casas feitas com estrutura metálica a partir dos anos 1980, como a residência no Parque dos Príncipes, 1985 (com Arnaldo Martino). Explorando o recurso da precisão construtiva, essas obras são tributárias da experiência prévia de arquitetos paulistanos que se aproximam do design, como Carlos Millan (1927-1964), Miguel Forte e todo o grupo ligado ao Estúdio Branco & Preto.

Nas décadas seguintes, percebe-se que sua limpeza construtiva se aproxima de certo maneirismo formal, em obras que trocam o ascetismo e a economia de meios pelo desenho de bom gosto, combinando elementos metálicos pintados de branco, paredes formadas por tijolos de vidro, e volumetrias com desenhos expressivos, como coberturas curvas, triangulares, e sacadas em balanço. É o caso, por exemplo, da residência no Jardim Paulistano, 1999, e do pavilhão no Alto de Pinheiros, 2003, obras em que fica nítida a abertura do arquiteto para um pós-modernismo, particularmente lido nas obras residenciais do arquiteto americano Richard Meier (1934).

Filho do poeta Tácito de Almeida, membro do grupo modernista que organiza a Semana de 22 e a Revista Klaxon, o arquiteto assume a modernidade como um dado natural, de formação. Contudo, afasta-se do materialismo marxista de Vilanova Artigas (1915-1985), que vê no cliente burguês o sujeito da emancipação social. Almeida, de modo distinto, diz não buscar a rudeza que agride o usuário ao projetar uma casa, busca, sempre a forma agradável, aquela que melhor possibilite a criação de uma "convivência cordial".3

Notas

1 ALMEIDA, Eduardo de. Fragmentos de una conversación (entrevista a Luis Espallargas). In: PIÑÓN, Helio. Eduardo de Almeida. Barcelona: Edicions UPC, 2005. p. 18.
2 Idem, ibidem, p. 17.
3 Idem, ibidem, p. 21.

Fonte: Itaú Cultural

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