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Celeida Tostes

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BIOGRAFIA

Celeida Tostes (Rio de Janeiro RJ 1929 - Rio de Janeiro RJ 1995)

Escultora e professora.

Celeida Moraes Tostes forma-se na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), em 1955. Ganha bolsa de estudo do governo norte-americano e parte para a University of Southern California, onde amplia seus conhecimentos em técnicas industriais de cerâmica, entre 1958 e 1959. Em 1973 frequenta o curso de antropologia cultural na Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense - UFF. Em 1975, estuda na School of Arts do Cardiff College, no País de Gales, com bolsa do Consulado Britânico, reunindo-se a artistas em experiências com reciclagem de materiais. Em 1980, ministra curso de cerâmica utilitária para profissionalização na Penitenciária Feminina de Belo Horizonte, Minas Gerais. Entre 1980 e 1995, coordena o Projeto Formação de Centros de Cerâmica Utilitária nas comunidades da periferia urbana Morro do Chapéu Mangueira, no Rio de Janeiro. Em 1986 é homenageada na 1ª Bienal do Barro de Porto Rico. Paralelamente ao seu trabalho artístico, desenvolve atividades acadêmicas como professora no núcleo 3D da Escola de Artes Visuais do Parque Lage - EAV/Parque Lage desde 1975, e na Enba/UFRJ, onde obtém livre-docência, em 1987.

Comentário Crítico

Celeida Tostes elege o barro como a matéria-prima por excelência de sua obra. A produção dessa artista conduz a cerâmica para além da funcionalidade, colocando-a como uma forma de exercício experimental no âmbito da pesquisa na arte contemporânea. O tema da feminilidade é um fio condutor de sua obra, acompanhado dos demais temas a ele relacionados: fertilidade, sexualidade, maternidade, fragilidade e resistência, nascimento e morte, corpo. Na obra de Tostes, percebemos um vínculo orgânico entre os temas escolhidos e a matéria-prima eleita. Esse vínculo se traduz, por exemplo, nas séries de Vênus, de Ovos, de Ferramentas ou de Bolas. Em depoimento, a artista revela: "Meu trabalho é o nascimento. Ele nasceu como eu mesma nasci - de uma relação. Relação com a terra, com o orgânico, o inorgânico, o animal, o vegetal. Misturar os materiais mais diversos e opostos. Entrei na intimidade desses materiais que se transformaram em corpos cerâmicos. Começaram a surgir bolas. Bolas com furos, com fendas, com rompimentos que me sugeriam vaginas, passagens. Senti então a necessidade imensa de misturar-me com o meu material de trabalho. Sentir o barro em meu corpo, fazer parte dele, estar dentro dele." Essa necessidade enseja a obra Rito de Passagem, onde, com a ajuda de duas assistentes, Tostes envolve-se em argila, formando em torno de si uma ânfora, deslizando depois para fora deste útero simbólico, e renascendo.

Críticas

"É difícil, entre nós, a elaboração de uma linguagem do feminino, na visualidade contemporânea. A mulher busca os seus idiomas próprios, nos espaços recém-abertos para ela. E Celeida formula o feminino em uma técnica que, talvez por ser ofício tradicional de mulher, demora a ganhar foro de validade como arte de grande envergadura: a da cerâmica. 
Nada mais natural que a escolha da pasta de barro para a fala feminina do fazer plástico: ela é macia, flexível, ondulante. (...)
A representação da fertilidade está patente nas quatrocentas esferas (1982), nos dez mil ovos de barro que ela já expôs como uma promessa de energia realizada, para que possam ser igualmente avaliados como múltiplos, dessacralizadores da noção de obra de arte como coisa única, rara".
Lélia Coelho Frota
Frota, Lélia Coelho. A fala feminina do fazer. In: Tostes, Celeida. Celeida Tostes: escultura. n. p.

"Celeida é uma artista de uma só fase: cada vez mais longe, cada vez mais fundo. Distanciando-se da superfície convencional, a sua matéria-prima, o barro ancestral, despoja-se lentamente da rima visual para procurar febrilmente a sensualidade da mão se espojando na maciez untuosa. 
Potes. Potes fechados, promessas pudicas, ciumentas, herméticas. Um dia as bolas racham, surgem vaginas lúbricas, oferecendo o vazio interior que espera e clama. Vazio matriz, forno, útero. É a crise. Vida e arte se confundem. Em ritual de passagem, Celeida refugia-se num útero de barro, e, quando este se rompe, fecundo, expulsa a cria e a placenta para uma nova vida, suja e perdoada. Pela abertura das bolas, antes vazias, fetos nos espreitam, já sexuados, futuros continuadores da espécie".
Henri V. Stahl
Stahl, Henri V. Celeida Tostes. Bienal Internacional de São Paulo, 21. , 1991. Catálogo geral. p. 195-196.

"Seguindo a mitologia, o nome de Celeida, como o conjunto de sua obra, significa ´o que abre caminho através do BARRO´. Obra mais que aberta, ela tem contudo definições e parâmetros muito bem definidos. Tanto biográficos como estéticos, sem quaisquer etiquetas ou modismos. 
Obra de raiz, rima com alma de barro. A primeira impressão é a de que sua aparência traz aquela crueza da topologia da terra e a vitalidade da natureza argilosa do solo. Magia totêmica e fertilidade de Tempo de Trabalho: reunião pictográfica de Celeida..."
Clóvis Brigagão
Brigagão, Clóvis. Celeida Tostes. In: Tostes, Celeida. Celeida Tostes: mó e bastões. n. p.

Exposições Individuais

1959 - Los Angeles (Estados Unidos) - Individual, na University of Southern California
1990 - Rio de Janeiro RJ - Armadilhas Indígenas, na Funarte
1990 - São Paulo SP - Armadilhas Indígenas, no Masp
1994 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Saramenha
1994 - Rio de Janeiro RJ - Retrospectiva, no Paço Imperial

Exposições Coletivas

1953 - Rio de Janeiro RJ - Exposição Anual da Enba - prêmio em gravura
1955 - Belo Horizonte MG - 2º Salão Nacional - medalha de bronze em desenho - menção honrosa em gravura, conferidas pela Organização Nacional dos Estudantes de Arte
1955 - Dinamarca - Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros
1955 - Holanda - Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros
1955 - Hungria - Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros
1955 - Polônia - Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros
1955 - Rússia - Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros
1955 - Suécia - Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros
1959 - Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Nacional de Arte Moderna, Museu de Arte Moderna
1960 - Rio de Janeiro RJ - 9º Salão Nacional de Arte Moderna, Museu de Arte Moderna
1979 - Rio de Janeiro RJ - Escultores Brasileiros, Galeria Aktuell
1980 - Curitiba PR - 1º Salão Paranaense de Cerâmica, Museu Alfredo Andersen
1980 - Curitiba PR - 37º Salão Paranaense, Teatro Guaíra
1980 - São Paulo SP - 1º Salão Paulista de Artes Plásticas e Visuais, Fundação Bienal - menção especial do júri e prêmio de participação
1981 - Belém PA - Exposição Itinerante do Projeto Arco Íris
1981 - Brasília DF - Exposição Itinerante do Projeto Arco Íris
1981 - Cuiabá MT - Exposição Itinerante do Projeto Arco Íris
1981 - Fortaleza CE - Exposição Itinerante do Projeto Arco Íris
1981 - Manaus AM - Exposição Itinerante do Projeto Arco Íris
1981 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão Nacional de Artes Plásticas, Museu de Arte Moderna - menção especial do júri
1981 - São Luís MA - Exposição Itinerante do Projeto Arco Íris
1981 - São Paulo SP - HMST: 4 instalações e 4 artistas, Paço das Artes
1982 - Curitiba PR - 3º Salão Paranaense de Cerâmica, Museu Alfredo Andersen
1982 - Rio de Janeiro RJ - Arquitetura da Terra, Solar Grandjean de Montigny
1982 - Rio de Janeiro RJ - 5º Salão Nacional de Artes Plásticas, Museu de Arte Moderna - prêmio especial Gustavo Capanema
1982 - São Paulo SP - 1º Salão Paulista de Arte Contemporânea, Fundação Bienal
1983 - Niterói RJ - Cerâmicas, Galeria de Arte UFF
1983 - São Paulo SP - 17ª Bienal Internacional de São Paulo, Fundação Bienal
1983 - São Paulo SP - Oficina de Artes de Fogo, Galeria Babeliduis
1983 - Rio de Janeiro RJ - Oficina de Artes de Fogo, Galeria Babeliduis
1984 - Paris (França) - Arquitetura da Terra ou o Futuro de uma Tradição Milenar, organizada pelo Centro Georges Pompidou, no Museu de Arte Moderna - artista convidada
1985 - São Paulo SP - 16º Panorama de Arte Atual Brasileira, Museu de Arte Moderna
1986 - Niterói RJ - Pela Própria Natureza, na Galeria da UFF
1986 - Rio de Janeiro RJ - Território Ocupado, Escola de Artes Visuais do Parque Lage
1987 - Nova York (Estados Unidos) - Meeting of Contemporary Ceramists of Latin America, no Everson Museum of Art
1987 - Rio de Janeiro RJ - Oficina de Artes de Fogo, Galeria César Aché
1987 - Rio de Janeiro RJ - Oficina de Artes de Fogo, Escola de Artes Visuais do Parque Lage
1988 - Rio de Janeiro RJ - 1ª Bienal de Escultura do Rio de Janeiro
1988 - Rio de Janeiro RJ - Panorama da Arte Tridimensional Brasileira, Museu de Arte Moederna
1988 - São Paulo SP - 19º Panorama de Arte Atual Brasileira, Museu de Arte Moderna
1989 - Rio de Janeiro RJ - O Mestre e a Mostra, Escola de Artes Visuais do Parque Lage
1990 - Rio de Janeiro RJ - Mostra de Aquisições, no MAM/RJ
1990 - Rio de Janeiro RJ - Projetos Arqueos, Fundição Progresso
1991 - São Paulo SP - 21ª Bienal Internacional de São Paulo, Fundação Bienal
1991 - São Paulo SP - 22º Panorama de Arte Atual Brasileira, Museu de Arte Moderna
1992 - Caracas (Venezuela) - 1ª Bienal Barro de América, Museo de Arte Contemporáneo de Caracas Sofía Imber
1993 - Niterói RJ - Uma Rosa É Uma Rosa É Uma Rosa, Galeria de Arte UFF
1994 - Rio de Janeiro RJ - Sob o Signo de Gêmeos, Galeria Saramenha

Exposições Póstumas

1995 - Caracas (Venezuela) - 2ª Bienal Barro de América, Museo de Arte Contemporáneo de Caracas Sofía Imber
1995 - Lausanne (Suíça) - Rio: mystères et frontières, Musée de Pully
1995 - Rio de Janeiro RJ - A Infância Perversa: fábulas sobre a memória e o tempo, Museu de Arte Moderna
1995 - Rio de Janeiro RJ - Projeto Triângulo Celeida Tostes, instalação em caráter permanente de 50 peças de sua autoria no Parque da Cidade, por iniciativa da Secretaria Municipal da Cultura
1995 - Salvador BA - A Infância Perversa: fábulas sobre a memória e o tempo, Museu de Arte Moderna
1996 - Belo Horizonte MG - Impressões Itinerantes, Palácio das Artes
1996 - Rio de Janeiro RJ - Rio: mistérios e fronteiras, Museu de Arte Moderna 
1997 - São Paulo SP - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, Itaú Cultural 
1998 - Belo Horizonte MG - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, Itaugaleria
1998 - Campinas SP - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, Itaú Cultural
1998 - Penápolis SP - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, Itaugaleria
1998 - Brasília DF - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, Itaugaleria
2000 - Rio de Janeiro RJ - Brasilidades,  Centro Cultural Light
2002 - Niterói RJ - A Recente Coleção do MAC, Museu de Arte Contemporânea
2002 - Rio de Janeiro RJ - Caminhos do Contemporâneo 1952-2002, Paço Imperial
2002 - Rio de Janeiro RJ - Fertilidade, Espaço Antonio Bernardo
2003 - Rio de Janeiro RJ - Arte do Fogo, do Sal e da Paixão, Centro Cultural Banco do Brasil
2005 - São Paulo SP - Homo Ludens: do faz-de-conta à vertigem, Itaú Cultural

Fonte: Itaú Cultural

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