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Carlos Julião

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BIOGRAFIA

Carlos Julião (Turim, Itália 1740 - Rio de Janeiro RJ 1811)

Desenhista, aquarelista e pintor.

Em meados do século XVIII, começa sua carreira militar a serviço da coroa portuguesa, alcançando o posto de brigadeiro em 1811. Realiza diversas viagens às colônias portuguesas na América, Índia e China, sendo responsável pelo levantamento de plantas de cidades e vistorias de fortificações. Provavelmente em 1767, vem ao Brasil, passando pela Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde realiza desenhos aquarelados que enfocam cenas da vida cotidiana, indumentária, meios de transporte e trabalho escravo. São 43 aquarelas sobre o Brasil que, com outras resultantes de suas viagens pela Ásia e América, são reunidas na obra Notícia Sumária do Gentilismo na Ásia com Dez Riscos Iluminados / Ditos de Figurinhos de Brancos e Negros dos Uzos do Rio de Janeiro e Serro Frio / Ditos de Vasos e Tecidos Peruvianos, editada entre 1776 e 1779. Posteriormente, essas aquarelas passam a integrar o acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, que as publica em 1960 com o título Riscos Iluminados de Figurinhos de Brancos e Negros dos Uzos do Rio de Janeiro e Serro do Frio e texto de Lygia da Fonseca Fernandes da Cunha. Pinta também, em 1799, uma vista panorâmica da cidade de Salvador, com fachadas e plantas de fortalezas e figuras locais.

Comentário Crítico

Na segunda metade do século XVIII, Carlos Julião trabalha como cartógrafo militar em colônias portuguesas na América, Índia e China. Nas aquarelas produzidas durante sua estada no Brasil, o artista descreve características da sociedade colonial, por meio de pequenas figuras que representam personagens locais. Como aponta o estudioso Carlos Eugênio de Moura, trata-se da mais completa obra sobre os costumes brasileiros do século XVIII de que se tem conhecimento até nossos dias.

Nesses desenhos, Carlos Julião enfoca diversos aspectos da vida cotidiana no Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais, como o universo do trabalho escravo, representando vendedores ambulantes, carregadores de cadeirinhas e atividades de mineração de diamantes, e, ainda, as festas populares do Rosário e de Reis, em que cada figura aparece com adereços característicos e instrumentos musicais utilizados no evento. O artista interessa-se em apresentar com minúcia a indumentária, na qual é possível notar, por exemplo, a diversidade de padrões dos tecidos.

Para a historiadora da arte Valéria Piccoli, Carlos Julião revela habilidade técnica em seus desenhos, tanto pela marcação nítida dos contornos como pela definição dos volumes. Sua obra apresenta ainda afinidade com as figurinhas do também militar português Joaquim Cândido Guillobel (1787-1859).

Exposições Póstumas

1982 - São Paulo SP - Pintores Italianos no Brasil, no MAM/SP
1992 - Zurique (Suíça) - Brasilien: entdeckung und selbstentdeckung, no Kunsthaus Zürich
1998 - São Paulo SP - O Universo Mágico do Barroco Brasileiro, na Galeria de Arte do Sesi
1998 - Brasília DF - Brasileiro que nem Eu, que nem Quem?, no Ministério das Relações Exteriores
1999 - São Paulo SP - Brasileiro que nem Eu, que nem Quem?, no MAB/Faap. Salão Cultural
2000 - Roma (Itália) - Viajantes e Naturalistas Italianos: imagens de Brasil nos séculos XVIII e XIX, no Palazzo Santacrote

Fonte: Itaú Cultural

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