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Bruno Lechowski

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BIOGRAFIA

Bruno Lechowski (Varsóvia, Polônia 1887 - Rio de Janeiro RJ 1941)

Pintor, desenhista, professor, arquiteto e músico.

Brunon Bronislaw Lechowski estudou na Academia de Belas Artes de Kiev, Ucrânia, e completa seus estudos em São Petersburgo, Rússia, em 1913. No ano seguinte, torna-se professor da Academia Nacional de Belas Artes, em Varsóvia. Entre 1922 e 1924, desenvolve o projeto da Casa Internacional do Artista, instituição que deve ter sede no maior número possível de países, permitindo aos artistas de todas as áreas produzir e viver de sua arte. Nesses locais, qualquer artista pode residir, trabalhar e receber uma parte da receita proveniente da venda dos ingressos para exposições coletivas e permanentes. Dessa forma, o artista não precisa adaptar-se ao mercado para vender suas obras. Em 1924, Lechowski aceita uma aposta para provar a viabilidade do projeto: em troca de uma soma em dinheiro que destina para a construção da primeira sede em Varsóvia, ele deve viajar por todos os continentes, falando somente polonês e vivendo apenas da venda de ingressos para suas exposições portáteis. Constrói uma tenda de lona com estruturas e armações desmontáveis e grandes caixas para o transporte do material, que utiliza para fazer a primeira mostra quando chega ao Rio de Janeiro, em 1925. Viaja em direção ao sul do Brasil, demorando-se em Curitiba, onde participa da vida cultural e realiza mais uma exposição portátil. Continua a viagem, passa um tempo em São Paulo e, em 1931, volta ao Rio de Janeiro. Nessa época, desenvolve um equipamento de exposição para lugares fechados. Participa da criação do Núcleo Bernardelli e é mentor de vários jovens pintores, como José Pancetti. Em 1940, transfere-se para um sítio em Campo Grande, Rio de Janeiro, e ali morre no ano seguinte. São realizadas três retrospectivas póstumas sobre o artista: Retrospectiva, no Museu Nacional de Belas Artes - MNBA, Rio de Janeiro, em 1942; a mostra itinerante Bruno Lechowski - A Arte como Missão, no Museu de Arte do Paraná - MAP, Curitiba, no MNBA e no Museu Lasar Segall, São Paulo, em 1991; e Bruno Lechowski, no Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, que herda o acervo do artista, em 2006.

Comentário crítico

As paisagens de Lechowski surpreendem primeiro pela sutileza. Nelas, parece não haver traço ou cor que possa ser adicionado ou retirado sem perda para o conjunto. O desenho e a composição são elegantes e simples. O fato de muitas pinturas serem aquarelas é determinante para as cores, suaves e envolventes.

Lechowski pinta principalmente marinhas, em que a terra e as pedras fazem recortes quase geométricos no mar e no céu. Esse tipo de composição é herdado, segundo o crítico Walter Zanini, por seu aluno José Pancetti, cuja composição é organizada por planos geométricos rigorosos, ao mesmo tempo solidários e distintos.1 No Rio de Janeiro, Lechowski começa representando apenas a natureza, mas aos poucos figura os prédios que despontam. A predominância da paisagem e da aquarela pode ser vista como um efeito de sua vivência no Brasil: quando chega da Europa, também pinta alegorias e retratos e usa técnicas variadas. Diz o pintor Oswaldo Teixeira: "Ele que aqui havia chegado simbolista, pintando numa metafísica bizarra de idéias muito avançadas, terminou o mais suave dos bucólicos, o mais calmo e idílico paisagista, pastoreando cores e formas líricas."2

O amor pela natureza e o domínio técnico são características dessa figura excêntrica e idealista, são os principais ensinamentos que lega aos jovens pintores do Núcleo Bernardelli. Yoshiya Takaoka e Tamaki contam da sua admiração pelo primitivismo de Paul Gauguin. José Pancetti deve a ele seu aprofundamento técnico e o conselho de não deixar seu emprego na Marinha, para não ter de comercializar sua obra. Lechowski enfatiza o lado artesanal da pintura e excursiona com os pintores pelos arredores do Rio de Janeiro para pintar. Ele próprio mora em Copacabana, então longe do centro da cidade.

Sua participação nesse grupo sem hierarquias, livre e cooperativo, talvez seja o que mais o aproxima efetivamente do seu grande projeto, a Casa Internacional do Artista. Para ele, a arte é um bem da humanidade, uma linguagem universal. Artistas são portadores privilegiados de valores éticos e espirituais e devem poder viver livremente da arte, sem pressões do mercado. Para tanto, não podem vender suas obras, mas podem sim cobrar entradas para exposições que realizam na residência coletiva.

Quando Lechowski expõe num terreno baldio de Curitiba, em 1926, não vende, mas sorteia seus quadros e eventualmente presenteia pessoas que apreciam muito seu trabalho. Entretanto, finda a exposição, Lechowski tem de vender as dezenas de obras restantes para Antonio Rydygier, de forma a complementar sua renda. Em 1931, em São Paulo, mostra suas pinturas em uma casa na alameda Lorena, número 25, utilizando o novo sistema de exposição em interiores. As telas ficam presas em fitas de metal perfuradas que têm como fundo um pano branco colocado ao redor da parede. Durante a exposição, que considera ser um concerto visual, executa composições musicais próprias em harmônico. Para completar vasos, plantas e tapetes. Metade da renda da exposição é doada à Sociedade de Assistência aos Lázaros e Defesa contra a Lepra.

Consegue inaugurar, em 1932, no Edifício Odeon do Rio de Janeiro, a sede provisória da Casa Internacional do Artista. Tem o apoio de Oswaldo Teixeira, do ministro da Polônia e do jornalista Celso Kelly, entre outros. Continua aperfeiçoando seus equipamentos de exposição. Inventa um mecanismo em que os quadros ficam presos por um dos lados em um eixo giratório comum. Entretanto, a Casa Internacional do Artista não vai adiante. Nesse período, Lechowski acaba vendendo obras. Ao transferir-se para o sítio em Campo Grande, Rio de Janeiro, Lechowski intenciona levar a sede do projeto para lá. Mas morre sem conseguir realizar o objetivo.

Além dos ensinamentos técnicos que deixa para os alunos do Núcleo Bernardelli, Lechowski é para eles um verdadeiro mentor, ensina-os a ser companheiros e a respeitar o ofício de pintor. Para os meios artísticos carioca, curitibano e, em menor medida, paulista, representa um exemplo de encarnação dos ideais da vanguarda, de acordo com os quais vive e pensa as exposições que faz.

Notas
1 ZANINI, Walter (Coord.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Instituto Moreira Salles: Fundação Djalma Guimarães, 1983, v.2., p. 579.
2 Citação de Oswaldo Teixeira em MORAIS, Frederico. Núcleo Bernardelli: arte brasileira nos anos 30 e 40. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1982.

Críticas

"Na verdade, Lechowski foi mais que um professor consumado, foi mais que uma figura carismática e messiânica, um humanista e um filósofo que viveu sinceramente disposto a executar seus projetos utópicos. Foi um exímio aquarelista e também um pintor e um desenhista com uma obra cheia de alternativas. Do simbolismo dos primeiros tempos - fase que necessita ser melhor examinada e compreendida em todos seus significados - ao bucolismo dos últimos anos, Lechowski ´documentou´ toda a variedade da paisagem carioca e fluminense, das visões paradisíacas e edênicas ao progresso que começava a levantar arranha-céus, por toda a orla marítima. Pintor emotivo e enérgico, soube, contudo, conter os excessos cromáticos mediante um desenho seguro e bem estruturado".
Frederico Morais
MORAIS, Frederico. Núcleo Bernardelli: arte brasileira nos anos 30 e 40. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1982.

"Deslumbrado pela grandiosidade esmagadora da natureza tropical desde 1926, Lechowski troca o modo de pintar. Do óleo passa para a aquarela, desta para o óleo, desenha, pinta, faz centenas de composições, quadros alegóricos, retratos, paisagens, tudo com paralelo vigor. (...) Percorre em êxtase as ilhas maravilhosas da Guanabara, sobe aos terraços dos arranha-céus, trepa arquejante os rochedos mais abruptos para observar do alto a colossal arquitetura da natureza e a distribuição ciclópica das massas. Trabalha rápida e nervosamente, todo em chamas. Suas procuras são a um tempo profundas e românticas. O mesmo Ismailovitch voltaria a escrever mais tarde sobre Lechowski: ´Essas paisagens do Rio, algumas tão cheias de sol, pintadas de uma arrancada com mão potente e segura, vibrantes todas de luz tropical têm o poder sobrenatural de nos arrancarem a todas as realidades da vida, como se abdicássemos de nós mesmos e nos fundíssemos nelas. Lechowski liga de maneira surpreendente a majestade da natureza tropical e as construções sintéticas da civilização contemporânea num desenho seguro e arrojado, às vezes simplificado pela disciplina cubista. Este grande mestre polonês, cujo olhar penetrante percebe as mais sutis gradações do verde, do vermelho, do azul, do amarelo, não se limita a combinações harmoniosas de cores, seus quadros conservam sempre o valor da realidade´".
D. Ismailovitch
MORAIS, Frederico. Núcleo Bernardelli: arte brasileira nos anos 30 e 40. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1982.

Exposições Individuais

1909 - Varsóvia (Polônia) - Primeira individual
1925 - Rio de Janeiro RJ - Primeira individual no Brasil com 400 obras trazidas da Europa, no Liceu de Artes e Ofícios
1926 - Curitiba PR - Individual, na sede do consulado da Polônia
1926 - Curitiba PR - Monta exposiçõ portátil em terreno baldio da Praça Zacarias
1931 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na sede do Movimento Artístico Brasileiro
1932 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na sede da Associação dos Artistas Brasileiros
1932 - Petrópolis RJ - Individual, no Liceu de Artes e Ofícios
1935 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na sede da Associação dos Artistas Brasileiros
1937 - Rio de Janeiro RJ - Cidade Maravilhosa, mostra inaugural da nova Galeria de Arte Theodor Heuberger. Comemorativa dos 50 anos do artista
1937 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Wonder Bar
1940 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na sede da SBBA

Exposições Coletivas

1925 - Varsóvia (Polônia) - Monta uma exposição portátil em uma praça pública
1932 - Rio de Janeiro RJ - Mostra conjunta com Oswaldo Teixeira, inaugurando a sede provisória da Casa Internacional do Artista
1932 - Rio de Janeiro RJ - Cineton, mostra conjunta com Oswaldo Teixeira, na ABI e no Largo da Carioca
1933 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Belas Artes - medalha de bronze
1933 - São Paulo SP - 2ª Exposição de Arte Moderna da SPAM, no Palacete Campinas
1933 - Rio de Janeiro RJ - 40ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba 
1934 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Belas Artes - medalha de prata
1934 - São Paulo SP - Salão Paulista de Belas Artes
1934 - São Paulo SP - 2ª Exposição da SPAM, no Rink São Paulo
1934 - Rio de Janeiro RJ - Feira Internacional de Amostras - Expõe no Stand da Polônia
1935 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Belas Artes
1936 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Belas Artes
1937 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Belas Artes
1938 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Belas Artes
1939 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Belas Artes
1940 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Belas Artes

Exposições Póstumas

1942 - Rio de Janeiro RJ - Bruno Lechowski: retrospectiva, no Museu Nacional de Belas Artes
1982 - São Paulo SP - Exposição Núcleo Bernardelli: arte brasileira nos anos 30 e 40, no Acervo Galeria de Arte
1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal
1986 - Curitiba PR - Tradição/Contradição, no Museu de Arte Contemporânea
1991 - Curitiba PR - Bruno Lechowski - A Arte como Missão, no Museu de Arte do Paraná
1991 - Rio de Janeiro RJ - Bruno Lechowski - A Arte como Missão, no Museu Nacional de Belas Artes
1991 - São Paulo SP - Bruno Lechowski - A Arte como Missão, no Museu Lasar Segall
1993 - Rio de Janeiro RJ - Paisagens Brasileiras pelos Artistas Estrangeiros, na Galeria de Arte Sesc Tijuca
1998 - Rio de Janeiro RJ - Marinhas em Grandes Coleções Paulistas, no Museu Naval e Oceanográfico. Serviço de Documentação da Marinha
2000 - Rio de Janeiro RJ - Quando o Brasil era Moderno: artes plásticas no Rio de Janeiro de 1905 a 1960, no Paço Imperial
2001 - Rio de Janeiro RJ - Aquarela Brasileira, no Centro Cultural Light
2002 - Niterói RJ - Arte Brasileira sobre Papel: séculos XIX e XX, no Solar do Jambeiro
2002 - Rio de Janeiro RJ - Arte Brasileira na Coleção Fadel: da inquietação do moderno à autonomia da linguagem, no Centro Cultural do Banco do Brasil
2002 - São Paulo SP - Arte Brasileira na Coleção Fadel: da inquietação do moderno à autonomia da linguagem, no Centro Cultural do Banco do Brasil
2003 - Brasília DF - Arte Brasileira na Coleção Fadel: da inquietação do moderno à autonomia da linguagem, no Centro Cultural do Banco do Brasil
2003 - São Paulo SP - Pintores do Litoral Paulista, na Sociarte
2006 - Curitiba PR - Bruno Lechowski, no Museu Oscar Niemeyer

Fonte: Itaú Cultural

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