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Bento José Rufino Capinam

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BIOGRAFIA

Bento José Rufino Capinam (Salvador BA 1791 - idem 1874)

Pintor e dourador.

Após combater em conflitos decorrentes do processo de independência do Brasil, troca o sobrenome português Silva pelo nativista Capinam. Há poucas informações sobre sua vida, mas se sabe que é discípulo de Antônio Joaquim Franco Velasco (1780 - 1833) e bastante ativo em Salvador, pintando sobretudo painéis religiosos. A tela A Morte do Pecador, na entrada da Igreja do Bonfim de Salvador, é atribuída a ele. Este trabalho faz par com outro, A Morte do Justo, pintado por seu filho, Tito Nicolau Capinam (1822 - 1876). São dele também cinco telas de cenas da vida de Cristo que se encontram no Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS/SP).

Os comentadores atribuem-lhe outras obras, mas com algumas divergências. Por exemplo, os críticos Walmir Ayala e Carlos Cavalcanti dizem ser dele painéis da Igreja da Ajuda e da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, em Salvador. Afirmam ainda que, em 1826, ele tenta ser nomeado professor substituto em uma aula de desenho, mas é preterido por José Rodrigues Nunes (1800 - 1881) , também discípulo de Velasco.

Segundo a historiadora Marieta Alves, são de Capinam, além de telas e painéis da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, certos quadros da Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia. Em 1911, o historiador Manuel Querino atribui a Capinam a prática - inovadora na época - da litografia, embora não se tenha até hoje nenhuma comprovação disso.

Comentário Crítico

Capinam é ativo até o terceiro quartel do século XIX e, hoje, sua pintura se diferencia estilisticamente da produção do período em que atua. Comparando-o com outros pintores de seu tempo, como José Teófilo de Jesus (1758 - 1847) e Antônio Joaquim Franco Velasco (1780 - 1833) - mestre de Capinam -, sua pincelada parece menos desenvolta e suas figuras mais rígidas. Em alguns quadros, ele se mostra mais próximo da pintura colonial do que do neoclassicismo português, que chega à Bahia por intermédio dos pintores que lá vão estudar, como José Joaquim da Rocha (1737 - 1807) e Teófilo de Jesus (1758 - 1847).

Entretanto, o historiador Laudelino Freire o qualifica como conhecedor do desenho, enérgico e vigoroso em todos os gêneros de pintura1. Manoel Querino considera seu desenho seguro e seu estilo expressivo e pronunciado2. Na pintura da Santíssima Trindade, de 1849, que se encontra no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro (MNBA/RJ) , a composição procura dar a ideia de ascensão em turbilhão, graças às nuvens, à maneira como os anjos são envoltos por elas e à assimetria e variedade de posição dos anjos. É uma composição rococó marcada tanto pela elegância, como pela leveza das figuras e das cores claras.

Entretanto, no detalhe, vê-se certa desproporção dos corpos, sobretudo nas partes descobertas, desenhadas com menos correção. A pincelada também não acompanha o ritmo da composição, pois é tímida e não ressalta sua luz ou brilho. Apesar disso, o efeito geral da pintura é delicado e revela um pintor estudado.

Notas

1FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Fontana, 1983, p. 45.

2QUERINO, Manoel Raymundo. Artistas bahianos. Salvador: A Bahia, 1911, p. 72 - 73.

Críticas

"Bento José Rufino Capinam, expressivo e pronunciado em seu estilo, é igualmente um artista prático em todo gênero de pintura. Seu desenho decisivo e correto, seu pincel enérgico e vigoroso, na história, no retrato, na paisagem, nos bosques cenográficos em que se mostra conhecedor das perspectivas - linear e aérea - patenteam-se sempre com expressão e efeito".

Compilação de texto de autor anônimo (ca.1876)

OTT, Carlos. Noções sobre a procedência d´arte de pintura na província da Bahia: manuscrito da Biblioteca Nacional. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, n. 11, p. 197-224, 1947.

Exposições Póstumas

1994 - São Paulo SP - Um Olhar Crítico sobre o Acervo do Século XIX, na Pinacoteca do Estado

Fonte: Itaú Cultural

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