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Auguste Petit

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BIOGRAFIA

Auguste Petit (Chatillon-Sur-Seine, França 1844 - Rio de Janeiro RJ 1927)

Pintor, professor.

Chega ao Brasil em 1864 trazendo o conhecimento artístico adquirido em seu país de origem como aluno do pintor de paisagens Eugène Nesle (1819 - 1871). Fixa-se no Rio de Janeiro, onde realiza paisagens, naturezas-mortas, cenas históricas e, principalmente, retratos, em que se destacam aqueles do casal imperial dom Pedro II (1825 - 1891) e dona Teresa Cristina (1822 - 1889), dos políticos Quintino Bocaiúva (1836 - 1912) e Nilo Peçanha (1867 - 1924), e do maestro Carlos Gomes (1836 - 1896). É premiado em diversas Exposições Gerais de Belas Artes, com destaque para a menção honrosa que recebe em 1882, e as medalhas de prata e de ouro que lhe são concedidas nos anos de 1884 e 1888, respectivamente. Entre 1890 e 1918, o pintor se apresenta regularmente em coletivas promovidas pela Escola Nacional de Belas Artes - Enba, deixando de participar de poucas dessas exposições. Como professor, Petit dá aulas de pintura. Entre os anos de 1880 e 1901 recebe os alunos em seu ateliê, que se localiza em diferentes endereços do Rio de Janeiro ao longo desse período.

Comentário Crítico

A obra de Auguste Petit, no Brasil, começa a se estabelecer nas duas últimas décadas do Império. Abrange os principais gêneros pictóricos do século XIX, como a paisagem, a natureza-morta, a pintura histórica e o retrato. Petit destaca-se como retratista, realizando pinturas de personalidades da época, como José Teles da Silva, 1880, d. Pedro II, ca.1882, e d. Teresa Cristina, ca.1882, que trazem características semelhantes: os retratados são mostrados levemente de perfil e de meio corpo (rosto, ombros e antebraços) sobre um fundo escuro, dentro de uma forma oval. O artista destaca o rosto e detalhes do traje, como a miniatura da "Ordem da Rosa" e do "Tosão de Ouro", nas lapelas esquerdas de José Teles da Silva e d. Pedro II, respectivamente, e o broche na gola do vestido de d. Teresa Cristina, e revela a importância social do retratado.

Nos anos 1890, Petit mantém algumas características dos retratos que realiza na década anterior, como apresentar o busto do retratado e detalhes da vestimenta, ao mesmo tempo em que pratica mudanças na maneira de representação. Entre elas, aproveitar o espaço retangular da tela (elimina as formas ovais), mostrar o retratado quase de corpo inteiro (retrato de d. Francisca Rosa de Morais, 1894), totalmente frontal (retrato de Charles Morel, 1898), ou sobre fundo claro (Árabe, 1898). A produção de retratos de Auguste Petit mostra a crescente importância do gênero no Brasil oitocentista para a representação da hierarquia social que vai da corte imperial à burguesia.

Críticas

"Esse retrato do Sr. BARÃO HOMEM DE MELLO é uma téla que merece francos elogios. E (...) precisamente no momento em que notava a firmeza desse desenho, o cuidado em tratar a cabeça, a felicidade das suas minucias, o Sr Barão Homem de Mello surgiu no salão. (...) Quanto á cabeça, o Sr Petit ali tem todo o relevo do desenho, accusando bem a anatomia, minudeando os caracteristicos da velhice. Epiderme, espessura de cabellos, vida physionôOica, constituem um conjunto de attendido trabalho que honra o artista. Como o Sr Augusto Petit está vendo, é um elogio sincero, talvez dos mais sinceros que haja recebido. Ao demais, essa parte do Salão parece favorecido pelo acaso. Ali está a maioria dos bons trabalhos".
Gonzaga Duque
DUQUE, Gonzaga. Contemporâneos: pintores e esculptores. Rio de Janeiro: Benedicto de Souza, 1929.

Exposições Coletivas

1879 - Rio de Janeiro RJ - 25ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1882 - Rio de Janeiro RJ - Exposição Geral de Belas Artes - menção honrosa
1884 - Rio de Janeiro RJ - 26ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba  - medalha de prata
1890 - Rio de Janeiro RJ - Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1894 - Rio de Janeiro RJ - 1ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1898 - Rio de Janeiro RJ - 5ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1899 - Rio de Janeiro RJ - Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1901 - Rio de Janeiro RJ - 8ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1902 - Rio de Janeiro RJ - 9ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1903 - Rio de Janeiro RJ - 10ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1904 - Rio de Janeiro RJ - 11ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1905 - Rio de Janeiro RJ - 12ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1906 - Rio de Janeiro RJ - 13ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1907 - Rio de Janeiro RJ - 14ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1908 - Rio de Janeiro RJ - 15ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1909 - Rio de Janeiro RJ - 16ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1910 - Rio de Janeiro RJ - 17ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1912 - Rio de Janeiro RJ - 19ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1914 - Rio de Janeiro RJ - 21ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1915 - Rio de Janeiro RJ - 22ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1916 - Rio de Janeiro RJ - 23ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1917 - Rio de Janeiro RJ - 24ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1918 - Rio de Janeiro RJ - 25ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1920 - Rio de Janeiro RJ - 27ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1922 - Rio de Janeiro RJ - 29ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1924 - Rio de Janeiro RJ - 31ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

Fonte: Itaú Cultural

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