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Antônio de Souza Lobo

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BIOGRAFIA

Antônio de Souza Lobo (Campos dos Goytacazes RJ 1840 - Rio de Janeiro RJ 1909)

Pintor, professor, restaurador, fotógrafo e cenógrafo.

Em 1854, Antonio Araújo Souza Lobo ingressa na Academia Imperial das Belas Artes - Aiba. Recebe menção honrosa nas Exposições Gerais de 1865 e 1866. Na mostra de 1868 - já fora da Aiba -, apresenta, junto com Antônio Barbosa de Oliveira, fotografias do certame de 1866, mostrando tanto os trabalhos expostos, quanto a montagem. É auxiliar de Carlos Luís do Nascimento (1812 - 1876), restaurador da Pinacoteca Pública, e, em 1867, abre - e mantém até 1890 - um ateliê de paisagens, retratos e restaurações com o irmão Carlos Alberico de Sousa Lobo. A partir de 1868, leciona no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, onde tem como aluno José Maria de Medeiros (1849 - 1925), e no Colégio Pedro II. Ganha a segunda medalha de ouro na Exposição Geral de 1870 e a primeira nas de 1876 e 1879. Até 1874, é cenógrafo do Teatro Provisório, no Rio de Janeiro. No mesmo ano, publica o texto Belas Artes: considerações sobre a reforma da Academia, preocupado com os rumos do ensino. A partir de 1876, ministra aulas também no Asilo de Menores Desvalidos, no Rio de Janeiro, onde é professor de Baptista da Costa (1865-1926). Ainda nos anos 1870, funda, com o escultor Almeida Reis (1838 - 1889) e o arquiteto Rodrigues Monteiro, a associação Acropólis, que defende a modernização do ensino de arte. No fim da vida, dedica-se à fotografia e à litografia.

Comentário Crítico

Antônio Araújo Souza Lobo exerce atividades variadas: é professor, cenógrafo, restaurador e fotógrafo. Em algumas delas, sua atuação é pioneira para seu tempo, por exemplo quando registra e mostra em fotografia a montagem da Exposição Geral de 1866; ou ainda quando critica os métodos acadêmicos de ensino, preconizando a pintura ao ar livre e o modelo vivo, que seriam pouco depois adotados por Georg Grimm (1846 - 1887), fora da academia.

Entretanto, essas atividades são pouco documentadas e, como pintor, Souza Lobo não deixou uma marca importante. O crítico Gonzaga-Duque (1863-1911) diz que ele tem amor pela arte e que, por isso, capricha, conseguindo por vezes fazer bem, sem contudo alcançar grande progresso.¹ Boa parte dos comentadores que o mencionam ressalta que ele se destaca nos retratos, mas não se mostra pintor de grande qualidade.² 

Seu quadro mais famoso pertence à coleção do Museu Nacional de Belas Artes - MNBA e esteve presente na exposição 
Retrospectiva da Pintura no Brasil, de 1948. Trata-se de um retrato de Dom Pedro II já adulto. O imperador apresenta pose e feições condizentes com sua função, olhar decidido fixado no horizonte. Detalhes como o brilho dos tecidos e as dobras nas meias são muito bem cuidados e a cor é quente e viva.

Notas
¹ DUQUE, Gonzaga. A arte brasileira. Rio de Janeiro: H. Lombaerts & Cia, 1888, p. 93.
² ZANINI, Walter. História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães : Instituto Walther Moreira Salles, 1983. V. 1, p. 408; CAMPOFIORITO, Quirino. A proteção do Imperador e os pintores do Segundo Reinado: 1850 - 1890. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983, p. 22.

Críticas

"Alguns pintores do período (1850/1890) desenvolveram atuação relativamente isolada dos principais vetores artísticos predominantes, embora não houvessem prestado qualquer contribuição particular digna de menção. Antônio Araújo de Souza Lobo (...), temperamento pouco aplicado, quase não aparece como pintor, revelando-se, entretanto, bom professor".
Quirino Campofiorito
CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983.

"Se não póde ser tido como artista de largo descortino, cabe-lhe, entretanto, com justiça, um dos primeiros logares entre os que mais se esforçaram pelos progressos da arte brasileira. Presidiu, como Victor Meirelles, Zeferino da Costa e Pedro Americo, ao desenvolvimento da phase organica. A sua acção no magisterio official e particular muito deve este ramo das bellas artes, na formação das diversas gerações que se succederam".
Laudelino Freire
FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil: de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983.

Exposições Coletivas

1860 - Rio de Janeiro RJ - 14ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1862 - Rio de Janeiro RJ - 15ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1865 - Rio de Janeiro RJ - 17ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba - grande medalha de ouro
1866 - Rio de Janeiro RJ - 18ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba - menção honrosa
1867 - Rio de Janeiro RJ - 19ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba - 2ª medalha de ouro
1868 - Rio de Janeiro RJ - 20ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba - 1ª medalha de ouro
1870 - Rio de Janeiro RJ - 21ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1872 - Rio de Janeiro RJ - 22ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1875 - Rio de Janeiro RJ - 23ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba 
1876 - Rio de Janeiro RJ - 24ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1879 - Rio de Janeiro RJ - 25ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1882 - Rio de Janeiro RJ - 1ª Exposição Geral de Belas Artes, na Sociedade Propagadora das Belas Artes
1884 - Rio de Janeiro RJ - 26ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba

Exposições Póstumas

1948 - Rio de Janeiro RJ - Exposição Retrospectiva da Pintura no Brasil com a tela Retrato de D. Pedro II, entre outras
2002 - São Paulo SP - Imagem e Identidade: um olhar sobre a história na coleção do Museu de Belas Artes, no Instituto Cultural Banco Santos

Fonte: Itaú Cultural

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