Trabalhadores Técnica:
Desenho a carvão sobre papel kraft Medida:
110 x 80 cm Data:
1938 Comentários:
Registrado no Projeto Portinari nº830 (FCO4291).
Fragmento do desenho para transporte "cana" (FCO5334) do Palácio Gustavo de Capanema no Rio de Janeiro.
Lavadeira com Duas Amigas Técnica:
desenho a grafite e crayon sobre papel Medida:
32,5 x 22 c Data:
c. 1951 Comentários:
sem assinatura
Reproduzido no Raisonné do Artista, Vol. III, í pág. 339, sob o registro nº 0481 - FCO 759. "Série Cangaceiros", esboço para ilustração nº 4 de "Cangaceiros" de José Lins do Rêgo.
Fera Técnica:
desenho a grafite sobre papel Medida:
18 x 28 cm Data:
1955 Comentários:
ass. centro inferior
Reproduzido no Raisonné do Artista, Vol. IV, pág. 101, sob o registro nº 3642 - FCO 314
Obs.: Desenho de autoria de Cândido Portinari, autenticado por Maria Victoria Portinari
Exposições:
1977/78 - Portinari Desenhista - Museu de Arte de São Paulo, MASP - Etiqueta do Ministério da Educação e da Cultura - Museu Nacional de Belas Artes
1984 - Portinari Desenhista 2. Ralph Camargo Consultoria de Arte - Rio de Janeiro. Indiv [11] [EX 159].
Anturios Técnica:
óleo sobre tela Medida:
74 x 60 cm Data:
1944 Comentários:
ass. inf. dir.
Reproduzido no Raisonné do Artista, vol. II, à pág. 481, sob o registro nº 2113.
Café Técnica:
desenho a grafite sobre papel Medida:
23,5x13,5cm Data:
1956 Comentários:
ass. inf. dir.
Registrado no Projeto Portinari sob n° FCO 719 registro 3826 página 175 vol IV
Abacaxi Técnica:
desenho a grafite sobre papel Medida:
17,5x10,5cm Data:
1956 Comentários:
ass. inf. dir.
Registrado no Projeto Portinari sob n° FCO 720, registro 3825 página 175 vol IV.
Purgatório Técnica:
desenho a grafite sobre papel Medida:
6 x 20 cm Data:
1944 Comentários:
ass. inf. dir.
Esboço para o painel "Purgatório". Registrado no Projeto Portinari sob n° FCO 335 registro 2048, página 454 Vol. II
Perfil de Mulher Técnica:
desenho a grafite sobre papel Medida:
22 x 32 cm Data:
1956 Comentários:
ass. inf. dir.
Registrado no Projeto Portinari sob n° de FCO 525, registro 4028, página 239 vol IV.
Caricatura de Homem Técnica:
desenho a grafite sobre papel Medida:
23 x 13 cm Data:
1956 Comentários:
ass. inf. esq.
A caricatura é do médico do navio "Augustus", a bordo quando Portinari viajou em 1956. Registrado no Projeto Portinari sob n° FCO 485.
Araras Técnica:
desenho a grafite sobre papel Medida:
20 x 38 cm Data:
1948 Comentários:
ass. inf. centro
Esboço para o painel "Florestas". registrado no Projeto Portinari sob n° FCO 660, registro 2634 e página 211 vol III.
Cavalo Técnica:
desenho a grafite sobre papel Medida:
22,2x28,8cm Data:
1957 Comentários:
ass. inf. esq.
Registrado no Projeto Portinari sob nº FCO 647, registro 4160, vol IV e página 283
SÃO FRANCISCO FALANDO AOS PÁSSAROS Técnica:
desenho a lápis de cor em papel Medida:
35x58 cm Data:
1945 Comentários:
ass. inf. esq.
Reproduzido no Catálogo Raisonné do artista, vol. II, p.105, Estudo para o painel de azulejos "São Francisco Falando aos Pássaros" que revesti o púlpito da Igreja de São Francisco de Assis da Pampulha, B. H., MG, projeto O. Niemeyer Igreja da Pampulha - B.H.
CARICATURA DE JOÃO CANDIDO Técnica:
desenho a caneta-tinteiro sobre papel Medida:
27x20 cm Data:
c. 1945 Comentários:
Reproduzido no Catálogo Raisonné vol. 3 - registro nº 2327.
CABEÇA DE MULHER Técnica:
desenho a crayon e lápis sobre papel Medida:
23,8x19 cm Data:
1955 Comentários:
ass. inf. dir.
desenho a crayon e lápis de cor sobre papel.
Reproduzido no catálogo Raisonné vol. 4 - registro nº 3498.
ESTRELA Técnica:
pintura em baixo-esmalte sobre azulejo Medida:
45 x 45 cm Data:
1942 Comentários:
sem ass.
Reproduzido no catálogo raisonné vol. 2 - p. 334 - Registro nº 1736.Certificado de autenticidade nº 1008-A, prova de parte do painel de azulejos, estrela-do-mar e peixes (FCO 1767).
HIPOCAMPO Técnica:
pintura em baixo-esmalte sobre azulejo Medida:
15 x 15 cm Data:
1942 Comentários:
sem ass.
Reproduzido no catálogo raisonné vol. 2 - p. 336 - Registro nº 1737.Certificado de autenticidade nº 1009-A - "Prova de parte do painel de azulejos Conchas e Hipocampos (FCO 1768)".
Exposição
2000. Quando o Brasil era moderno: artes plásticas no Rio de Janeiro.
1905-1960. Paço Imperial, Rio de Janeiro.
SÃO SEBASTIÃO Técnica:
gravura a água-forte sobre papel Medida:
25 x 20 cm Data:
1942 Comentários:
ass. inf. dir.
Reproduzido no catálogo raisonné vol. 2 - p. 330 - Registro nº 1718 - Exposições: 1963 Mostra di Candido Portinari. Palazzo Reale, Milão. indiv.[70d][EX 55] - 1995: Portinari: obra gravada. Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro. indiv. [EX 426].
Homem agachado Técnica:
Desenho em carvão sobre papel kraft Medida:
76x130 cm Data:
1938 Comentários:
Em papel colado no verso da moldura, autenticação de Olga Portinari Leão.
Fragmento de desenho para transporte para a pintura mural "Cacau" [FCO 1756]. catalogado no projeto Portinari - Raisonné Vol. I - pág. 447 - Registro 848 [FCO 3849].
Participou da Exposição "No ateliê de Portinari 1920-45", MAM-SP, 14/07 a 18/09/2011. Reproduzido no livro da mostra, à pág. 137.
Candido Portinari (Brodósqui SP 1903 - Rio de Janeiro RJ 1962). Pintor, gravador, ilustrador e professor. Inicia-se na pintura em meados da década de 1910, auxiliando na decoração da Igreja Matriz de Brodósqui. Em 1918, muda-se para o Rio de Janeiro e, no ano seguinte, ingressa no Liceu de Artes e Ofícios e na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), na qual cursa desenho figurativo com Lucílio de Albuquerque (1885-1962) e pintura com Rodolfo Amoedo (1857-1941), Baptista da Costa (1865-1926) e Rodolfo Chambelland (1879-1967). Em 1929, viaja para a Europa com o prêmio de viagem ao exterior, e percorre vários países durante dois anos. Em 1935, recebe prêmio do Carnegie Institute de Pittsburgh pela pintura Café, tornando-se o primeiro modernista brasileiro premiado no exterior. No mesmo ano, é convidado a lecionar pintura mural e de cavalete no Instituto de Arte da Universidade do Distrito Federal, quando tem como alunos Burle Marx (1909-1994) e Edith Behring (1916-1996), entre outros. Em 1936, realiza seu primeiro mural, que integra o Monumento Rodoviário da Estrada Rio-São Paulo. Em seguida, convidado pelo ministro Gustavo Capanema (1902-1998) pinta vários painéis para o novo prédio do Ministério da Educação e Cultura (MEC) (1936-1938), com temas dos ciclos econômicos do Brasil, propostos pelo ministro. Em 1940, após exposição itinerante pelos Estados Unidos, a Universidade de Chicago publica o primeiro livro a seu respeito, Portinari: His LifeArt, com introdução de Rockwell Kent. Em 1941, pinta os painéis para a Biblioteca do Congresso em Washington D.C. com temas da história do Brasil, Descobrimento, Desbravamento da mata, Catequese e Descoberta do Ouro. Filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), candidata-se a deputado, em 1945, e a senador, em 1947, mas não se elege. Em 1946, recebe a Legião de Honra do governo francês. Em 1956, com a inauguração dos painéis Guerra e Paz na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, recebe o prêmio Guggenheim. Ilustra vários livros, como Memórias Póstumas de Brás Cubas e O Alienista, de Machado de Assis (1839-1908), entre outros. Em 1958, inicia um livro de poemas - editado por José Olympio em 1964 -, com textos introdutórios de Antônio Callado (1917-1997) e Manuel Bandeira (1886-1968). Em 1979, seu filho João Candido Portinari implanta o Projeto Portinari que reúne um vasto acervo documental sobre a obra, a vida e a época do artista, no campus da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ).
A amarga realidade
Tarde da noite, o garoto de apenas quinze anos entra na pensão onde trabalha em troca de uns poucos níqueis e onde, por consideração, o deixam dormir em algum canto, com a condição de que não perturbe o sossego dos hóspedes. Vinha de retorno de suas aulas de pintura no Liceu de Artes e Ofícios e tudo o que queria era algo com que matar a fome.
De dentro de seu alforje, tira um pouco da gelatina que, na escola, é distribuída aos alunos para mesclar às tintas, dando-lhes a consistência necessária. Do que sobrou, o menino trouxe um pouco para casa, colocou ao fogo e, juntando ao pão duro e amanhecido, fez sua última refeição.
Havendo iludido seu estômago com essa estranha mistura, foi a um dos banheiros da casa, colocou no chão algumas tábuas, jogou sobre elas um colchão de crina e deitou-se.
Estava encerrado mais um dia de luta. No dia seguinte, a rotina seria a mesma. Ao deixar a família no distante interior paulista, para vir sozinho ao Rio de Janeiro estudar pintura, Candinho nem por sombra imaginava as agruras por que teria de passar.
Mas um dia tudo deveria melhorar, tinha certeza disso. E nessa confiança adormeceu, refazendo as forças para a jornada de um novo dia e, à noite, para o reencontro com pincéis, telas e sonhos.
Entre Pedras e Rosas
Em 1918, Portinari estudava pintura no Liceu de Artes e Ofícios. Em 1921, finalmente, conseguiu ingressar na Escola Nacional de Belas-Artes, para um curso avançado.
Se era carente de recursos materiais, não faltaram a Portinari grandes mestres que iriam orientar sua vida, dando a ela sentido e direção: estudou desenho com Lucílio de Albuquerque (marido de Georgina) aprendeu pintura com Rodolfo Amoedo e João Batista da Costa. Viveu o ambiente da Academia, convivendo com futuros artistas, respirando arte e abrindo, ainda que com extrema dificuldade, a larga estrada que o conduziria ao futuro.
Em 1920, vendeu sua primeira tela, Baile na Roça em 1922, expôs no Salão Nacional de Belas-Artes, sendo completamente ignorado. Mas em 1923, voltando à exposição com outro quadro, recebeu a medalha de bronze e um pequeno prêmio em dinheiro, apenas como estímulo.
Nos Salões seguintes conseguiu primeiro a medalha de prata e depois a grande medalha de prata. E, o que é melhor, passou a ser notado pelos críticos, recebendo de Flexa Ribeiro palavras de estímulo:
"De seu sentimento, muito devemos esperar: alguma coisa da alma florentina tenta renascer nesse adolescente que é, desde já, um espiritualista".
A viagem, o casamento, a nova vida
O ano de 1928 selou sua sorte, quando ganhou o ambicionado prêmio de viagem, que lhe permitiu visitar França, Itália, Inglaterra e Espanha, voltando para o Brasil ao fim de dois anos.
O resultado de sua viagem pareceria, a quem o visse, decepcionante. Em dois anos, pintara apenas três pequenas naturezas-mortas. Só isso e nada mais.
Todavia, o ano de 1930, marcou uma virada em sua vida. Primeiro, casou-se com Maria Vitória Martinelli, uma uruguaia que viria ser, para todo o sempre, o esteio de sua carreira. Segundo, com a bagagem cultural adquirida durante a viagem, passou a pintar desenfreadamente, por vezes até um quadro a cada dia.
Aos poucos, vai se desfazendo da tutela da Academia, sua arte ganha fluidez e liberdade e, em 1931, já se faz notado no Salão Revolucionário, onde sua obra, eclética e extensa, é bem recebida tanto pelos acadêmicos como pelos precursores da arte moderna.
Na Escola Nacional de Belas-Artes, assumia Lúcio Costa, com o propósito de abrir os horizontes daquela instituição. O Brasil vivia o encantamento da 2ª República, iniciada em 1930 e o governo revolucionário, precisando construir edifícios para acomodar a nova estrutura do poder, passou a procurar artistas com idéias avançadas no tempo.
Durante todo o período do Estado Novo, depois de uma curta e frustrada experiência como professor de pintura, Portinari vai conseguindo encomendas oficiais uma após outra: no Ministério da Educação, no pavilhão brasileiro da Feira Mundial em Nova York, na biblioteca do Congresso em Washington etc., etc. Por fim, a convite do prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, trabalha no controvertido projeto da Igreja de São Francisco, no complexo arquitetônico de Pampulha.
Portinari confiou no futuro, trabalhou arduamente, e o futuro virou presente.
Esposa, companheira e marchand
Se bem sabia pintar, Portinari não tinha jeito algum para o comércio de seu trabalho e em breve sua esposa Maria assumiu os negócios para evitar que o pintor doasse seus quadros ou os vendesse por valores simbólicos. E ela o fazia com determinação, para marchand nenhum pôr defeito, conforme episódio contado por Deocélia Viana, viuva do radionovelista Oduvaldo Viana:
"Oduvaldo foi ao Rio com o intuito de adquirir um quadro de Candido Portinari, seu velho amigo. Candido tinha um nome adequado. Aquele seu jeito provinciano, ar ingênuo e de uma candura enorme. Ficou feliz de ver Oduvaldo. (...)
Meu marido explicou o que queria e Cândido levou-o a ver seus quadros. Oduvaldo escolheu um lindíssimo, As Lavadeiras. (...) Veio a Maria para fechar o negócio. (...) E ficou combinado que pediriam ao Modesto de Sousa, velho e grande ator, que apanhasse o quadro e o mandasse para São Paulo. (...)
Oduvaldo voltou e, uns quinze dias depois, Modesto de Sousa foi buscar o quadro. E o dinheiro?, perguntou Maria. Oduvaldo ficou de remeter, respondeu ele. Bom, depois que o dinheiro chegar, você leva o quadro. Oduvaldo se queimou, ficou furioso, não mandou o dinheiro, porque era um desaforo a Maria duvidar dele e, por uma bobagem, ficamos sem o quadro do grande Portinari".
Vida, paixão e morte
Seu primeiro encanto foi o nascimento do único filho, João Cândido, em 1939. O intenso trabalho, que incluía três painéis para o pavilhão brasileiro na feira internacional em Nova York, não o impediam de viver a vida familiar.
Através dos anos, entre telas, murais, pincéis e tintas, havia tempo de sobra para manter-se ligado à família, mulher e filho, com um vínculo indissolúvel, tão indissolúvel como sua paixão pela arte.
Mas em 1954, começa a sentir o efeito do contato diuturno com as tintas. O médico lhe diz que está com uma dose anormal de chumbo no organismo e, para evitar uma contaminação maior, deve abandonar por completo a pintura a óleo ou similares.
Portinari tenta partir para outras técnicas, usando até lápis de cor e caneta a tinteiro, numa mistura de desenho com pintura, mas sente-se reprimido, impedido de liberar por inteiro suas emoções e sua capacidade artística
Em 1960, um novo ser vem povoar sua vida: a pequena Denise, filha de João Candido, que ele passa a cantar em prosa em verso. Delicia-se com seus primeiros passos suas primeiras palavras, transforma-a em modelo de suas novas criações.
Contrariando determinações médicas, volta a usar o óleo para retratar sua neta, para a qual pinta pelo menos um quadro por mês.
O médico estava certo. O retornou às tintas aumentou o grau de contaminação do organismo, debilitando de vez sua saúde. E Candido Portinari vem a falecer em 6 de fevereiro de 1962, aos 58 anos de idade, no auge da fama, consagrado, no Brasil e no mundo, como um dos maiores pintores do Século 20.
(Texto de Paulo Victorino).