Ressurreição de Lázaro Técnica:
óleo sobre tela Medida:
100 x 130 Data:
1942 Comentários:
ass.inf. dir.
Reproduzido no livro Fulvio Pennacchi de P.M. Bardi ed. Raízes à pág. 73 obra selecionada para a retrospectiva a ser realizada na Pinacoteca do Estado de São Paulo
Fulvio Pennacchi (Villa Collemandina - Garfagnana Toscana, Itália 1905 - São Paulo SP 1992). Pintor, ceramista, desenhista, ilustrador, gravador, professor. Em 1924, muda-se para Lucca e inicia sua formação artística freqüentando o Regio Istituto di Belle Arti (atual Istituto Superiore Artistico A. Passaglia), onde tem aulas com o pintor Pio Semeghini (1878 - 1964). Muda-se para São Paulo em 1929 e dedica-se à diferentes atividades até 1933, quando passa a auxiliar Galileo Emendabili (1898 - 1974) na execução de monumentos funerários. Em 1935, conhece Francisco Rebolo (1902 - 1980), passa a freqüentar seu ateliê e convive com os artistas do Grupo Santa Helena. No ano seguinte, indicado por Emendabili, trabalha como professor de desenho geométrico e artes no Colégio Dante Alighieri. Nessa mesma época integra a Família Artística Paulista - FAP e inicia a produção de painéis em afresco e óleo para residências, igrejas hotéis e outras edificações, destacando-se os afrescos de grandes dimensões para a Igreja Nossa Senhora da Paz, no bairro do Glicério, executados entre os anos de 1941 e 1948. A partir de 1952, pesquisa técnicas de policromia em cerâmica. Em 1965, inicia um período de recolhimento e mantém-se afastado das exposições e do circuito artístico. Em 1973, reabre seu ateliê e recebe diversas homenagens no Brasil e na Itália. Nesse mesmo ano conhece a ceramista Eunice Pessoa e com ela desenvolve um um grande número de peças, expostas em 1975. Sem nunca ter abandonado as atividades artísticas, volta a figurar em diversas mostras e continua a produzir painéis em afresco. Em 1980, Pietro Maria Bardi (1900 - 1999) publica um livro sobre sua obra. Nove anos depois, é lançado, pela editora Gema Design, o livro Ofício Pennacchi, organizado por Valério Antonio Pennacchi, responsável também pela publicação, em 2002, do livro Fulvio Pennacchi: Pintura Mural, editado pela Metalivros.
Fonte Itaú Cultural
Atualizado em 22/03/2006
Comentário Crítico
Fulvio Pennacchi nasceu na Itália, na Villa Collemandina, Garfagnana Toscana, no dia 27 de dezembro de 1905. Por volta de 1924, muda-se para a cidade de Lucca onde inicia sua formação artística no ano de 1928 no Régio Istituto di Belle Arti, onde tem aulas com o pintor Pio Semeghini.
Em 1929 Fulvio Pennacchi revolve vir para o Brasil e passa a fixar sua residência na capital paulista, onde começa a trabalhar em diversas atividades para sobreviver que vão desde dar aulas no Colégio Dante Alighieri até ser dono um açougue, até que por volta de 1933, é descoberto casualmente pelo escultor Galileo Emendabili que fica curioso com o incrível afresco que decorava o seu estabelecimento comercial.
Logo em seguida passa a colaborar com o escultor Emendabili na execução de projetos como o “Monumento em Homenagem aos Mortos na Revolução Constitucionalista de 1932″, além de outros trabalho do seu atelier.
Em 1935, ao participar do Salão Paulista de Belas Artes, trava amizade com Francisco Rebolo (1902 – 1980) e passa a freqüentar seu ateliê, no Palacete Santa Helena, na Praça da Sé.
O ateliê de Francisco Rebolo começou quase perto dele se aposentar como jogador de futebol e logo depois passou a dividir o espaço com o pintor Mário Zanini, e em pouco tempo uma gama de pintores, sem maiores pretensões e sem nenhum compromisso conceitual foram se formando em torno desse ateliê, entre eles Fulvio Pennacchi.
A maioria deles formados por imigrantes e filhos de italianos como Fulvio Penacchi, Aldo Bonadei, Alfredo Rizzotti, Humberto Rosa, mas também descendentes de espanhóis e portugueses como o Francisco Rebolo e Manuel Martins, entre outros. Essa reunião de amigos no ateliê de Rebolo passou a mais tarde a ser conhecida como Grupo Santa Helena.
Fulvio Pennacchi realiza pinturas com temática religiosa, como Fuga para o Egito, 1935 ou Esmola de Santo Antonio, 1938. Retrata também o homem do campo em suas atividades de trabalho, como em Colheita da Uva, 1939, ou em momentos de descanso ou lazer. Com os artistas do Grupo Santa Helena, vai aos domingos para arredores de São Paulo, onde pinta paisagens. Em seus trabalhos, porém, a figura humana é sempre integrada à paisagem. Revela interesse pela obra de Paul Cézanne (1839 – 1906) e de pintores italianos do primeiro Renascimento, como Giotto (1266 ou 1267 – 1337) e Masaccio (1401 – 1428).
Em 1937, é idealizado um evento que ficou conhecido por Salão de Maio, na cidade de São Paulo, com vistas a consolidar as pesquisas artísticas modernas, após as diversas experimentações estéticas da década anterior. O primeiro salão contou com a participação dos grandes nomes do modernismo como Tarsila do Amaral, Victor Brecheret, Livio Abramo, Lasar Segall, entre diversos outros.
Essa exposição era constituída de um grupo fechado, de vanguardistas, com suas idéias próprias sobre a arte, mas por outro lado, não aceitavam aqueles que não estivessem de acordo com os seus conceitos e qualificações, indo de encontro principalmente ao grupo de artistas operários como os do Grupo Santa Helena, por exemplo. O Grupo Santa Helena por sua vez conseguiu o apoio de Paulo Rossi Osir e desta forma criaram a exposição denominada Família Artística Paulista, que aconteceu em novembro de 1937.
No entanto alvo, esta exposição foi alvo de muitas críticas dos jornalistas e críticos de arte, que passaram a acusar os pintores operários de estarem presos ainda ao velho tradicionalismo, fazendo uma arte arcaica e ultrapassada. Por sorte o grupo também passou a contar com o apoio de Mário de Andrade, um dos grandes defensores do Modernismo Brasileiro, que através dos jornais passou a defender o grupo dos ataques do pessoal do Salão de Maio.
A defesa do Grupo Santa Helena, de alguma maneira, fez com que se criasse uma certa abertura e assim alguns amigos do Grupo Santa Helena, como Volpi, por exemplo, teve também acesso ao segundo Salão de Maio, que aconteceu em junho de 1938, e no terceiro e último Salão realizado em 1939 estava presentes outros artistas operários como Clóvis Graciano e Fulvio Pennacchi, além de participações estrangeiras como de Alexander Calder, Josef Albers e Alberto Magnelli.
A partir de então, Fulvio Pennacchi passa a executar diversos trabalhos, entre murais, afrescos, ilustrações e naturalmente as suas pinturas à óleo e cerâmica. Em 1945, realiza uma exposição individual na Galeria Muller, em Buenos Aires, Argentina, e um ano mais tarde participa da I Bienal de São Paulo e em 1952, recebe uma Medalha de Ouro no Salão Paulista de Arte Moderna.
Em 1967, participa da Exposição “O Grupo Santa Helena – 30 Anos Depois” e em 1972 leva ao conhecimento do público e da crítica toda a sua obra desenvolvida no período entre 1965 a 1972. Em 1973, sua vida e obra são retratadas no filme documentário, que foi promovido pela Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo.
Também é organizada uma grande retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo, juntamente ao lançamento do livro “Pennacchi – 40 anos de Pintura”. Durante este período Fulvio Pennacchi realiza uma exposição em Milão, organizada pelo Itamarati e também recebe a Medalha de Ouro da cidade de Lucca, Itália, onde ele estudou. Também participa da “Exposição Panorama da Arte Atual Brasileira, Pintura 1973” realizado no MAM – SP.
Em 1975, recebe a Ordem “Al Mérito Della República Italiana”, através do Presidente da República Italiana e até o final dos anos 70, participa de exposições individuais na Galeria Emy Bonfim na Galeria CCBEU também na Galeria Entreartes e Galeria do Clube dos Amigos da Arte. Em 1979, do evento em Brasília, Distrito Federal, “50 Anos de Pennacchi”, realizada na Oscar Seraphico Galeria de Arte. Também em São Paulo, de uma exposição na Paulo Figueiredo Galeria de Arte.
Nos anos 80, faz diversas individuais em São Paulo, na Acedemus Galeria de Arte Decorações (1980) na Gerot Galeria (1981) na Galeria de Arte André (1984) na Academus Galeria de Arte Decorações (1985) na Galeria Grossman (1985) e também do evento “Pennacchi: 80 anos” realizada na Galeria Grossman, em São Paulo.
Também da individual na BEMGE (1986) no evento “Pennacchi: Sessenta Anos de Pintura” na Galeria de Arte André (1987) outra individual na Simões de Assis Galeria de Arte, em Curitiba em 1988 e a individual em São Paulo na Galeria Jacques Ardies.
Sem nunca ter abandonado as atividades artísticas, volta a figurar em diversas mostras e continua a produzir painéis em afresco. Em 1980, Pietro Maria Bardi (1900 – 1999) publica um livro sobre sua obra. Nove anos depois, é lançado, pela editora Gema Design, o livro Ofício Pennacchi, organizado por Valério Antonio Pennacchi, responsável também pela publicação, em 2002, do livro Fulvio Pennacchi: Pintura Mural, editado pela Metalivros.
Em 5 de outubro de 1992, Fulvio Pennacchi morre aos 87 anos de idade, deixando-nos diversas decorações em Mural, afrescos e um grande número de pinturas com temas populares, retratando camponeses, pescadores, as festas populares e imagens religiosas.