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James Lisboa Escritório de Arte - Leilão - Março 2013 Captacao de obras

Alex Flemming

O Orgulho
Técnica: Acrílico sobre tela
Medida: 180 x 140cm
Data: 1987
Comentários: ass. verso
Reproduzida no catálogo Alex Flemming, à p. 8 da Galeria Montesanti, Junho de 1987.

Alex Flemming
Preço: Sob Consulta

A Cariátide Verde
Técnica: Acrílica sobre tela
Medida: 190 x 140cm
Data: 1987
Comentários: ass. verso

Alex Flemming
Preço: Sob Consulta

 

  BIOGRAFIA
Alex Flemming
Alex Flemming, biografia e trajetória

Alex Flemming (1954)



Biografia


Alex Flemming (São Paulo SP 1954). Pintor, escultor e gravador. Freqüenta o curso livre de cinema na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo, entre 1972 e 1974. Cursa serigrafia com Regina Silveira (1939) e Julio Plaza (1938-2003), e gravura em metal com Romildo Paiva (1938), em 1979 e 1980. Na década de 1970, realiza filmes de curtas-metragens e participa de festivais. Em 1981, viaja para Nova York, onde permanece por dois anos e desenvolve projeto no Pratt Institute, com bolsa de estudos da Fulbright Foundation. A partir dos anos 1990, realiza intervenções em espaços expositivos e pinturas de caráter autobiográfico. Passa também a recolher móveis como cadeiras e poltronas, para utilizar em seus trabalhos, aplicando sobre eles tintas e letras ou textos. É professor da Kunstakademie de Oslo, na Noruega, entre 1993 e 1994. Reside na Alemanha a partir de 1995, e continua expondo freqüentemente no Brasil. Em 1998, realiza painéis em vidro para a Estação Sumaré do Metrô de São Paulo, com fotos de pessoas comuns, às quais sobrepõe com letras coloridas trechos de poemas de autores brasileiros. A representação do corpo humano e os mapas de regiões em conflito estão na série Body Builders (2001-2002). Em 2002, são publicados os livros Alex Flemming, pela Edusp, organizado por Ana Mae Barbosa, com textos de diversos especialistas em artes visuais, e Alex Flemming, uma Poética..., de Katia Canton, pela editora Metalivros, e, em 2005, o livro Alex Flemming - Arte e História, de Roseli Ventrella e Valéria de Souza, pela Editora Moderna.

Atualizado em 05/10/2010

Fonte: Itaú Cultural

Alex Flemming e seus tapetes voadores
que questionam ocidentes e orientes


Desmontar, desconstruir, desvestir, descascar, raspar, misturar, sobrepor, repor, refazer, recuperar, revestir, renomear, construir, reconstruir, reutilizar, colar, recolar, a arte do paulista Alex Flemming prima pela produção em permanente processo, em um denso trabalho que explora as extensões e os limites do tema e do material.

Uma mescla de idéias inusitadas –de indecifráveis textos, estranhas texturas, diferentes suportes e tintas berrantes. Uma arte provocativa, feita de corpos estampados ou corpos des-reconstruídos, de móveis, objetos e roupas revestidos de cores metálicas, de animais empalhados, coloridos etc.

Pensando e compondo em série, há no trabalho de Alex Flemming a preocupação com o fazer e com o documentar os passos, em organizar as etapas e até em mostrar o processo da produção que, na tela e em outros suportes, aparece às vezes de forma camuflada, às vezes se escancarando, em uma tradução do mundo e de si. Muitas dessas séries são recombinadas em diferentes cores, texturas e suportes, propondo-nos uma gama de possibilidades de leitura.

Um novo conceito de beleza? Mais do que isso, trata-se de um jogo entre a transparência, a espessura e o que está escondido. E o que toda essa produção espelha é a própria trajetória do artista, um exilado voluntário.

Vivendo entre duas caóticas metrópoles –São Paulo e Berlim–, Flemming fala de seu trabalho de modo provocativo e apaixonado. Ele conta suas inquietações e reflexões referentes à vida e à morte, à temas políticos e culturais, retratados em sua obra de uma forma pouco convencional, como se o objeto artístico, este sim, fosse seu elo de encontro com a vida, entre mundos, países e temas, em um vir-a-ser do artista e da obra. Uma recorrência de que a arte imita a vida?

Nessa nação artística, o corpo é um assunto constante. Desde a década de 80 o artista retrata ou utiliza o corpo humano, ora como tema, ora como suporte para a discussão de temas políticos, sociais e culturais.

Há, em seu trabalho, uma reflexão sobre o corpo e sobre o humano, sobre o corpo vivo e o morto, sobre o uso do corpo como identidade, como ausência ou como memória. Enfim, pode-se dizer que Flemming tem no corpo e suas possibilidades de significação e ressignificação um de seus principais focos.
A beleza do corpo humano é carnalmente explorada na tela “Torso”, de 1983. Esse quadro apresenta um peito masculino nu, repartido em quatro retângulos, emoldurados por diferentes cores e texturas, em uma reverência ao corpo vivo e exuberante ou como um convite ao prazer, ao sexo e à vida. Aqui, assim como em outros trabalhos onde aparece a figura desnudada, o artista mostra, discute e homenageia o corpo em sua aparência física, em sua pujança e no apelo erótico que o nu desperta.

O corpo humano pode ainda servir de suporte para a denúncia-crítica da sociedade contemporânea, como as fotos retrabalhadas da série “Body Builders”, de 2002, na qual o artista imprime, sobre peles de corpos atléticos, mapas de regiões do mundo em conflito.

Novamente o nu, desta vez gigantescamente elevado, espacializado e carnavalescamente colorido, que denuncia visual e verbalmente. Nessa série de corpos modelados, a contemporaneidade da obra do artista aparece na forma de seu engajamento com a história, com a tecnologia e com a arte.

O corpo humano presente e em foco também aparece nas gigantescas fotos de personagens anônimos, como nos documentos burocráticos, sobre as quais o artista respinga letras coloridas, que formam poemas de autores consagrados, em um trabalho de 1998.

Montando outdoors na estação Sumaré do metrô paulista, em 44 telas de vidro transparente, Flemming elabora um código para o usuário decifrar o que está es/inscrito sobre as fotos, pondo ordem em sua percepção. Nessa série, o artista destaca rostos da multidão, fazendo um comentário à indiferenciação social e ao anonimato.

O corpo também se torna memória ou relíquia na tela “Múmia”, de 1988. Trata-se de uma metaforização das figuras tradicionais de múmias, a partir de uma idéia já estabelecida culturalmente, mas que é aqui reelaborada em uma versão translúcida, perpassada por um fundo de pinceladas em tons claros, etéreos. São três figuras-múmias “quase” espirituais, suspensas na tela, prontas para o reverenciamento do receptor, seja por ele estar diante dos segredos que a múmia esconde, seja pela idéia de morte e eternidade do corpo que essas figuras sugerem.

Há ainda a série de corpos religiosos. Nessa série, o artista toma exemplos de imagens religiosas populares e as reveste com cores, texturas e recortes inusitados. Na tela “Anjo”, de 1984, por exemplo, Flemming trabalha sobre oito retângulos que, juntos, mostram o contorno da figura de um anjo. Fundo e figura se misturam através das cores fortes, das pinceladas coloridas e da própria montagem das oito partes, compondo uma sobreposição de informações visuais, onde a interferência cria o signo novo.

Flemming é um artista que se rende ao corpo humano. Em uma nova forma de apresentar e de representar o corpo, sua obra toma o corpo físico como figura, como identidade, coloca-o em um pedestal e o reverencia, seja enfatizando-o plasticamente, seja transformando-o para além de suas fronteiras naturais, seja expandindo ou dilacerando o corpo ou suas partes.

O corpo de Alex Flemming assume identidades variadas e pode estar até ausente, como na série das roupas coloridas metalicamente, mas é sempre belo e vivo, porque é provocativo, diverso, distinto, humano. É um corpo que sai da multidão, do apagamento social e cultural e se torna centro, tema e obra. Seu mais recente trabalho revela um engajamento político. Na inédita produção “Tapetes Voadores”, Alex Flemming manifesta sua indignação frente a atos extremistas, aflorando um sentimento que é compartilhado por qualquer cidadão sensato do planeta.

A inauguração da exposição “Flying Carpets”, na Galeria Sylvio Nery, coincidiu provocativamente com o segundo aniversário dos atentados que derrubaram as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York.

Fazendo uma alusão aos milenares tapetes voadores orientais das “Mil e Uma Noites” e à moderna tecnologia da aeronáutica ocidental, os gigantescos aviões construídos pelo artista com pedaços de tapetes orientais instauram a denúncia e rememoram a questão Oriente versus Ocidente que tanto perturba este início do século 21.

Vídeo:










Alex Flemming

 

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