Carlos Alberto Fajardo (São Paulo SP 1941). Artista multimídia. Freqüenta o curso de arquitetura na Universidade Mackenzie, em São Paulo, entre 1963 e 1972. Na década de 1960, estuda pintura, desenho, comunicação visual e história da arte com Wesley Duke Lee (1931 - 2010), e música contemporânea com Diogo Pacheco (1925). Participa da criação do Grupo Rex, com Wesley Duke Lee, Nelson Leirner (1932), Frederico Nasser (1945), Geraldo de Barros (1923 - 1998) e José Resende (1945), em 1966, e torna-se co-editor do jornal Rex Time. Em 1970, com Luiz Paulo Baravelli (1942), Frederico Nasser e José Resende, funda a Escola Brasil:. Estuda gravura em metal com Babinski (1931) e litografia com Regina Silveira (1939). No início de sua trajetória, trabalha com diferentes técnicas, realizando objetos, pinturas, colagens, desenhos e gravuras. A partir de 1981, expõe trabalhos em pintura, constituídos por um conjunto de telas e de superfícies em madeira pintada, apenas apoiados nas paredes da sala, criando assim um espaço entre os dois planos. Passa a dedicar-se à realização de esculturas em que explora questões como peso, gravidade ou sustentação da obra no solo. Em 1987, recebe a Bolsa Ivan Serpa da Funarte e, em 1989, a Bolsa Vitae de Artes. Desde 1996, leciona no departamento de artes plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP.
Fonte: Itaú Cultural
Atualizado em 22/06/2011
Críticas
"Desprezando totalmente a pergunta pela sua origem, os objetos de Fajardo situam sua gênese no excesso de sua presença. O que está por trás desses fenômenos é rigorosamente a mesma coisa que se apresenta tão de imediato a nós. E no entanto, em meio a essa solidez impassível, deslizam impulsos não contabilizados que se desgarram totalmente dos materiais que lhes geram - um estranhamento entre o estímulo e sua fonte. De novo a matéria é um empecilho para o desenvolvimento das sensações, mais que a sua fonte. Alheias ao meio que as envolve, as sensações vêem às voltas com uma lassidão radical que provoca uma verdadeira abstração dos sentidos." Rodrigo Naves
"Carlos Fajardo: o rigor do seu trabalho é enriquecido pela ambigüidade de sua sensibilidade que transita entre o masculino e o feminino. Ao lado da racionalidade que orienta a construção de sua peças, há sempre a presença de elementos e materiais que vêm tensionar o esforço construtivo: a passagem do tempo apreendida pela esfera de glicerina (que também ocupa um espaço virtual pelo perfume que exala), pelo longo rolo de argila que se parte no processo da sua exibição, ou pela superfície do ferro corroída pela água. Essa mesma sensibilidade também se apresenta no contraste eloqüente entre a pedra e o lute ou entre o batom e o granito no velamento das formas pelo tecido ou pela malha de alumínio ou na utilização de elementos orgânicos como na esfera de cipó. Mais que afirmar a tradição da Modernidade, seu trabalho deixa aberta a possibilidade de deslocamentos constantes para outros territórios." Ivo Mesquita
"A obra de Fajardo tematiza, essencialmente, essa ‘incompletude constituinte", posicionando-se a meio termo entre a pintura e a escultura, de onde estrategicamente pode dissolver o ponto de vista privilegiado, trabalhar com suportes variados, sem uma fisionomia muito fixa na tradição, e assim operar todas as situações nas quais se constitui o olhar na história da arte.
Serão, pois, as superfícies - lugar por excelência da extensão e da homogeneidade, mas também da incompletude - que estarão sempre na mira do trabalho do artista, permanentemente reclamando contornos e limites, a presença de uma idéia possível de tonalidade e portanto de sentido. E se é reiterada a afirmação de uma atitude construtiva em toda a sua obra, não é que ele pretenda, classicamente, marcar a vigência de uma razão abstrata e universal, o que de algum modo garantiria a restauração de uma totalidade ideal. Ao contrário, cada trabalho deve produzir-se a partir de uma idéia genética de totalidade, iniciada e enfeixada nele mesmo, e por isso cada um exige consideração específica, de sorte que o procedimento vê-se continuamente exposto a uma situação de risco, em frente das condições singulares que envolvem o surgimento do novo trabalho. O princípio totalizador, organizador de sentido, não é portanto uma instância dada a priori, mas algo que deve ser testado e conquistado na produção de trabalho a trabalho." Sônia Salzstein