Antônio Maluf (São Paulo SP 1926 - idem 2005). Pintor, desenhista e artista gráfico. Inicia seus estudos em engenharia civil e passa, posteriormente, a cursar a Escola Livre de Artes Plásticas, em São Paulo, dirigida por Flávio Motta (1916). Realiza também cursos de pintura com Waldemar da Costa (1904 - 1982) e Flexor (1907 - 1971). Estuda gravura no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp, com Poty (1924 - 1998) e Darel (1924). Freqüenta o primeiro curso de desenho industrial da América Latina, no Instituto de Arte Contemporânea - IAC do Masp, onde é aluno de Sambonet (1924 - 1995), entre outros. Nessa época, entra em contato com a arte construtiva, por meio da obra de Max Bill (1908 - 1994), apresentada na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, e no Masp, em 1952. A tendência construtiva caracteriza sua atividade como artista, designer gráfico e programador visual. Vence o concurso para o cartaz da 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, e este é considerado um marco do design gráfico no país. O artista utiliza vários suportes e realiza pinturas murais e elementos modulares, atuando em colaboração com arquitetos como Vilanova Artigas (1915 - 1985), entre outros.
Fonte: Itaú Cultural
Atualizado em 02/02/2006
Antônio Maluf cursou Desenho Industrial no Instituto de Arte Contemporânea do Museu de Arte de São Paulo (MASP), optando, desde o início pela arte construtivista, com ênfase na produção de cartazes e padrões têxteis.
Foi também aluno de Nelson Nóbrega, Waldemar da Costa, Samson Flexor, Darel e Poty, e em 1951 obteve o prêmio de cartaz da I Bienal de São Paulo, na qual também expôs pinturas de conotação geométrica.
Participaria mais tarde de coletivas como a I Exposição Nacional de Arte Abstrata (Petrópolis, 1952), a I Bienal de Desenho Industrial (Rio de Janeiro, 1968) e a I Bienal de Arte Aplicada (Punta del Leste, 1965).
Realizou diversos murais como o da Vila Normanda (1962), abrangendo mais de 1.500 m2 de galerias térreas e sobrelojas resolvidos em lajotas cerâmicas, e o do Sindicato dos Motoristas (1973). Sua pintura utiliza cores chapadas de tonalidades puras, contrastantes, dispostas matematicamente em progressões, criando, na superfície bidimensional, um ritmo ordenado.
Comentário Crítico
Antônio Maluf estuda na Escola Livre de Artes Plásticas, em São Paulo, na década de 1940, e também cursa pintura nos ateliês de Waldemar da Costa (1904 - 1982) e Flexor (1907 - 1971). Em 1951, matricula-se no primeiro curso de desenho industrial da América Latina, no Instituto de Arte Contemporânea - IAC do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp. Entre os colegas do IAC, encontram-se futuros grandes designers e artistas concretos brasileiros como Alexandre Wollner (1928) e Maurício Nogueira Lima (1930 - 1999).
Maluf segue uma trajetória singular, pois apesar de adotar a linguagem construtiva, compartilhada por vários artistas a partir da década de 1950, não se vincula a nenhum grupo. Elabora, em 1951, um de seus primeiros trabalhos concretos, Equação dos Desenvolvimentos em Progressões Crescentes e Decrescentes, que é adaptado para participar do concurso de cartazes da 1ª Bienal Internacional de São Paulo. Ele vence o concurso e seu trabalho é considerado um marco no design gráfico brasileiro. O cartaz traz retângulos que se adensam, à medida em que são reduzidos, em direção ao centro do papel. Apresenta assim uma vibração ótica resultante da sugestão de movimento criada pelas linhas paralelas. Já nas séries Progressões Crescentes e Decrescentes, o artista cria um ritmo que parece se ampliar ao infinito, pela repetição de uma mesma estrutura geométrica.
Maluf utiliza variados suportes, dedicando-se a pinturas murais em azulejos e estampas para tecidos, sempre norteados por sua visão da arte concreta. Na opinião da crítica Regina Teixeira de Barros, a produção de Antônio Maluf baseia-se no conceito da equação dos desenvolvimentos, estabelecendo uma relação de igualdade entre os elementos da linguagem artística e o suporte sobre o qual eles são aplicados. Nos murais criados, por exemplo, para o edifício Vila Normanda, no centro de São Paulo, a disposição dos azulejos que servem como suporte é proporcional à utilizada nos retângulos que constituem o mural. Através de variações possíveis, obtidas pela divisão de retângulos em doze unidades, o artista lida com princípios de equilíbrio e contrastes de cores, criando ritmos rigorosamente elaborados.
Como designer, elabora cartazes, logomarcas, padronagens de tecido, projetos para outdoors e integra sua obra gráfica a projetos de arquitetura. Cria murais e elementos modulares, colaborando com arquitetos como, por exemplo, Vilanova Artigas (1915 - 1985). A tendência construtiva caracteriza sua trajetória como artista e suas atividades de designer e programador visual. Com seus trabalhos, colabora para a transformação da identidade visual da cidade de São Paulo, integrando a arte às atividades relacionadas ao cotidiano da população.