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71
- CÍCERO DIAS |
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MOÇAS
EM OLINDA
73 X 60 cm
óleo sobre tela
ass. inf. dir. dec. 50
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CÍCERO
DIAS
“A cor violenta e explosiva
das telas de Cícero Dias não
resulta apenas do desejo de reproduzir
as manifestações decorativas
da natureza; são mais do que
isso, são elementos primordiais
da nossa terra, da nossa vida, da
nossa maneira de ser e de reagir ante
o ambiente que nos cerca. Vem daí
que Cícero Dias, antes de pertencer
à Escola de Paris e, apesar
do aspecto ‘não figurativo’
da sua arte, é um pintor estritamente
brasileiro. Não Necessitou
ele do ‘assunto’, do pitoresco
anedótico, para criar uma arte
autóctone; bastou-lhe a emoção
pura que transcende das nossas qualidades
brasileiras e o emprego sistemático
de certos ritmos formais e a escolha
de determinadas relações
cromáticas. Prova, desta maneira,
que, assim como o estilo, o caráter
autóctone de uma obra de arte
independente do ‘motivo’.
A pintura de Cícero Dias se
acha em íntima relação
com a nossa natureza interior, enquanto
que a natureza exterior é vista
pelo artista com os olhos do espírito.
Esta arte se conserva ligada à
terra, ao mundo das aparências,
pela sua vitalidade gerada pelo dinamismo
das cores e das formas. Ora são
os verdes - evocação
do reino vegetal - que se destacam
da harmonia e vivificam toda a tela,
são verdes diferentes, tropicais,
que muito tem a ver com a cor das
palmeiras e dos canaviais; ora dominam
os azuis puros que se acham em concordância
com o azul do céu; ora os vermelhos
explosivos e quentes evocam a exuberância
colorida das cores tropicais, a violência
dos nossos sentimentos e o calor de
nossa atmosfera. Por vezes distinguimos,
entre o emaranhado das formas abstratas,
a massa de uma floresta tropical ou,
numa visão aérea, os
contornos de uma paisagem brasileira
(veja-se, por exemplo, a tela Les
Villes Jumelles’). Aliás,
quase todas as telas de Cícero
Dias sugerem a paisagem, são,
poderíamos assim dizer, ‘paisagens
abstratas’ “.
Flávio de Aquino |
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