
Vicente do Rego Monteiro (1899 - 1970)
Biografia
Vicente do Rego Monteiro (Recife PE 1899 - idem 1970). Pintor, escultor, desenhista, ilustrador, artista gráfico. Inicia estudos artísticos em 1908, acompanhando sua irmã Fedora do Rego Monteiro (1889 - 1975) em cursos da Escola Nacional de Belas Artes - Enba, no Rio de Janeiro. Em 1911, viaja com a família para França, onde freqüenta as Academias Colarossi, Julian e de La Grande Chaumière. Participa do Salon des Indépendants, em 1913, do qual se torna membro societário. Em Paris, mantém contato com Amedeo Modigliani (1884 - 1920), Fernand Léger (1881 - 1955), Georges Braque (1882 - 1963), Joán Miró (1893 - 1983), Albert Gleizes (1881 - 1953), Jean Metzinger (1883 - 1956) e Louis Marcoussis (1883 - 1941). No início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), deixa a França, com sua família, e se estabelece no Rio de Janeiro, em 1915. Em 1918, realiza a primeira individual, no Teatro Santa Isabel, no Recife, e dois anos mais tarde expõe pela primeira vez em São Paulo, onde entra em contato com Di Cavalcanti (1897 - 1976), Anita Malfatti (1889 - 1964), Pedro Alexandrino (1856 - 1942) e Victor Brecheret (1894 - 1955). Em 1920, estuda a arte marajoara das coleções do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista. Movido por uma grande paixão pela dança, realiza em 1921 o espetáculo Lendas, Crenças e Talismãs dos Índios do Amazonas, no Teatro Trianon, Rio de Janeiro, elogiado pelo poeta e crítico Ronald de Carvalho (1893 - 1935). Viaja para França, deixando oito óleos e aquarelas para serem expostos na Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo. Em 1923, faz desenhos de máscaras e figurinos para o balé Legendes Indiennes de LAmazonie. Integra-se ao grupo de artistas da galeria e revista L´Effort Moderne, de Leonce Rosemberg. Traz ao Brasil a exposição A Escola de Paris, exibida no Recife, São Paulo e Rio de Janeiro. Decora a Capela do Brasil no Pavilhão Vaticano da Exposição Internacional de Paris, em 1937. Em 1946, funda a Editora La Presse à Bras, dedicada à publicação de poesias brasileiras e francesas. A partir 1941, publica seus primeiros versos, Poemas de Bolso, organiza e promove vários salões e congressos de poesia no Brasil e na França. Retorna ao Brasil, e dá aulas de pintura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, em 1957 e 1966. Em 1960, recebe o Prêmio Guillaume Apollinaire pelos sonetos reunidos no livro Broussais - La Charité. Entre 1966 e 1968, dá aulas no Instituto Central de Artes da Universidade de Brasília - UnB.
Fonte: Itaú Cultural
Atualizado em 28/05/2010
Nascido em Recife, em 1899, numa família de artistas. já em 1911 Vicente do Rego Monteiro estava em Paris (em companhia da irmã mais velha), cursando, por pouco tempo, a Academia Julian. Talento precoce, em 1913 participou do Salão dos Independentes, na capital francesa. De volta ao Brasil em 1917, dois anos mais tarde realizou, em Recife, sua primeira mostra individual em 1920 e 1921, apresentou-se no Rio de Janeiro, em São Paulo e Recife.
Em São Paulo entrou em contato com os artistas e intelectuais que desencadeariam a Semana de Arte Moderna, da qual participou com dez de pinturas. Logo em seguida retornou a Paris, e integrou-se a tal ponto na vida artística e cultural da capital francesa que nos anos 20, era um dos pintores estrangeiros mais conceituados na França, com assídua e notável participação em mostras duais e coletivas.
Alternando praticamente toda a sua existência entre a França e o Brasil, Vicente só pouco antes de falecer desfrutou algum prestigio maior em sua terra natal, onde nunca chegou a receber a consideração que sua importância exigia. Em 1957, fixou-se no Brasil. passando a lecionar sucessivamente na Escola de Belas-Artes de Recife, na de Brasília e de novo na de Recife. Em 1966 o Museu de Arte de São Paulo dedicou-lhe uma retrospectiva, o mesmo tendo feito, após sua morte, em 1970, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.
Muitas das melhores telas de Rego Monteiro perderam-se num incêndio, no fim da década de 20 Anos mais tarde, o artista tentou reproduzi-Ias de memória ou lançando mão de esboços e desenhos preliminares mas, evidentemente, as obras perderam muito em emoção e sentimento.
Em seus melhores momentos, Vicente é pessoal, embora aparentado a outros artistas de seu tempo. Sua peculiaridade é a insistência com que abordou temas nacionais, o que o transforma em precursor de uma tendência artística latino-amencana. Seu mundo de idéias oscilava entre as figuras do panteão americano e a Bíblia, os clássicos e outros temas grandiloqüentes, que tornam sua arte grave e profunda. Mas ele sentiu também, como poucos, a sedução do movimento fascinado que era pela dança e pelo esporte — e, homem de seu tempo, em determinada fase da carreira viu-se empolgado pelo não figurativismo.
Características de sua arte são a plasticidade, a sensação volumétrica que se desprende dos planos, a textura quase imaterial, de tão leve, o forte desenho, esquematizado. e a ciência da composição, que o torna um clássico, preocupado com a construção das formas.
Fonte: Artmoderna
Exposições Individuais
1918
Recife PE – Individual, na Galeria Elegante
Recife PE – Individual, no Teatro Santa Isabel
1919
Recife PE – Individual, na Fotografia Piereck
1920
São Paulo SP – Individual, na Livraria Moderna
São Paulo SP – Individual, na Associação dos Empregados do Comércio
1921
Rio de Janeiro RJ – Individual, no Teatro Trianon
1925
Paris (França) – Individual, na Galerie Emeric Fabre
1928
Paris (França) – Individual, na Galerie Bernheim Jeune
1937
Paris (França) – Individual, na Galerie David Garnier
Paris (França) – Individual, na Galerie Katia Granoff
1939
Recife PE – Individual, no Museu do Estado de Pernambuco
1942
Recife PE – Individual, no Museu do Estado de Pernambuco
1947
Paris (França) – Individual, na Galerie Visconti
1956
Paris (França) – Individual, na Galerie de L´Odeon
1957
Recife PE – Vicente do Rego Monteiro: pinturas e monotipias, no Teatro Santa Isabel
Rio de Janeiro RJ – Individual, no Clube dos Seguradores e Banqueiros do Rio de Janeiro
1958
Paris (França) – Individual, na Galerie Royale
1960
Paris (França) – Individual, na Galerie Yves Michel
1961
Recife PE – Individual, na Galeria Rozenblit
1962
Recife PE – Individual, na Galeria Rozenblit
Paris (França) – Individual, na Galerie Ron Volmar
1963
Paris (França) – Individual, na Galerie La Baume
1964
Paris (França) – Vicente do Rego Monteiro: pinturas e desenhos, na Galerie R.G.
1966
São Paulo SP – Retrospectiva, no Masp
1967
Paris (França) – Individual, na Galeria Katia Granoff
Paris (França) – Individual, na Galerie Debret
1968
Recife PE – Individual, na Enba
1969
Rio de Janeiro RJ – Individual, na Galeria Barcinski
1969
Recife PE – Individual, na Ranulpho Galeria de Arte
Exposições Coletivas
1913
Paris (França) – Salon des Indépendants
1914
Paris (França) – Salon des Indépendants
1922
São Paulo SP – Semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal
1923
Paris (França) – Salon de Tuileries
Paris (França) – Salon des Indépendants
Paris (França) – Exposição de Artistas Brasileiros, na Maison de L´Amérique Latine
1924
Paris (França) – Salon de Tuileries
1925
Paris (França) – 18º Salão de Outono
Paris (França) – Salon de Tuileries
Paris (França) – Salon des Indépendants
1926
Paris (França) – Salon des Indépendants
1927
Paris (França) – Salon des Indépendants
1928
Paris (França) – Salon des Indépendants
1929
Amsterdã (Holanda) – Expositions Sélectes d"Art Contemporain, no Stedelijk Museum Amsterdam
Haia (Holanda) – Expositions Sélectes d"Art Contemporain, no Pulchri Studio
Paris (França) – 40º Salon des Indépendants, na Société des Artistes Indépendants
1930
Paris (França) – Premiére Exposition do Grupe Latino-Americain de Paris, na Galerie Zack
Paris (França) – Salon d"Avant Garde-1940
Recife PE – Exposition de l"École de Paris, no Teatro Santa Isabel
Rio de Janeiro RJ – Exposition de l"École de Paris, no Palace Hotel
São Paulo SP – Exposition de l"École de Paris, no Palacete da Glória
1931
Paris (França) – Salon des Surindépendants
1937
Paris (França) – Exposição Internacional de Paris
1942
Recife PE – 1º Salão Anual de Pintura, no Museu do Estado de Pernambuco – 1º prêmio do salão de pintura
1943
Recife PE – 2º Salão Anual de Pintura, no Museu do Estado de Pernambuco – 1º prêmio do salão de pintura
1944
Recife PE – 3º Salão Anual de Pintura, no Museu do Estado de Pernambuco
1949
Recife PE – 3º Salão de Arte Moderna do Recife
1952
São Paulo SP – Exposição Comemorativa da Semana de Arte Moderna de 22, no MAM / SP
1954
Recife SP – Fédora, Joaquim e Vicente do Rego Monteiro, no Teatro Santa Isabel
1958
Paris (França) – Coletiva, na Galeria Royale
1960
Recife PE – 1ª Exposição da Galeria de Arte do Recife
Recife PE – Coletiva de Verão, na Ranulpho Galeria de Arte
Recife PE – Pintores Pernambucanos Contemporâneos, na Universidade do Recife
1961
Recife PE – 1ª Feira de Arte do Recife
1962
Recife PE – Artistas Pernambucanos, no Clube Internacional do Recife
1963
Salvador BA – Artistas do Nordeste, no MAM / BA
1964
Olinda PE – Exposição do Atelier da Ribeira, no Atelier da Ribeira
1965
Paris (França) – Hommage au Poète Géo-Charles, na Galerie de l"Institut
1966
Austin (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, na The University of Texas at Austin. Archer M. Huntington Art Gallery
New Haven (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, na The Yale University Art Gallery
San Diego (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, no La Jolla Museum of Art
New Orleans (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, no Isaac Delgado Museum of Art
San Francisco (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, no San Francisco art Museum
Paris (França) – Coletiva, na Galerie Katia Granoff
São Paulo SP – Exposição Comparação, na Galeria Mirante Artes
1967
Nova York (Estados Unidos) – Precursors of Modernism in Latin America, no Center of Inter-American Relations
Paris (França) – Coletiva, na Galeria Katia Granoff
1969
Recife PE – Artistas Pernambucanos, na Detalhe Galeria