A experiência fala alto. No palco em frente ao microfone, na noite do Leilão oficial e para a centenas de pessoas, que o James Lisboa mostra todo seu conhecimento sobre obras de arte, já que traz no seu currículo mais de 2.000 obras de arte leiloadas entres Pinturas, Desenhos, Esculturas, Moveis e algumas gravuras. "Cada obra tem sua história, eu mostro a essência da obra o que ela retrata e o que representa para sociedade, saber sobre a história do artista, seus conceitos técnicas de pintura a suas melhores fases, são informações preciosas para levar a Leilão e transparecer a importância da obra. Assim o cliente consegue compreender o seu valor e decidir se deve ou não adquirir a obra."
Anotações e desenhos inéditos de um dos principais artistas visuais nordestinos estão reunidos na exposição “Anotações Visuais de Aldemir Martins”.Ao longo da vida, Martins (1922-2006) produziu obras de toques rústicos que retratam a natureza, o homem e paisagens típicas do Nordeste
Sob a curadoria de Jacob Klintowitz, os trabalhos estão dispostos de dois modos: os originais (montados em pranchas e vitrines, com formatos pequenos, desde pedaços de papel de menos de 10 cm a folhas de papel ofício) e as plotagens, em tamanhos que respeitam as proporções originais.
Espaço Cultural Citi – av. Paulista, 1.111, Bela Vista, centro, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/4009-3000. Seg. a sex.: 9h às 19h. Sáb., dom. e feriado: 10h às 17h. Até 19/11. Grátis. Classificação etária: livre. Acesso para deficientes pela al. Santos, 1.146
O artista plástico brasileiro Vik Muniz conquistou, em menos de 15 anos de carreira, uma posição invejável no cenário artístico internacional. Suas fotografias construídas com arames, linhas, açúcar, chocolate, restos de carnaval, terra e outros materiais insólitos estão hoje nos principais museus do mundo inteiro, como o Metropolitan e o MoMA, ambos em Nova York. Vik também foi o primeiro brasileiro a realizar uma individual no Whitney Museum e, este ano, já expôs em Washington, Atlanta, Nova York e Rio de Janeiro. Hoje, por exemplo, Vik tem obras exibidas na Bienal de Veneza (no pavilhão brasileiro e no Palazzo Fortuny). Ele também tem mostras previstas para Paris (dezembro) e São Paulo (a partir de 28 de junho, no Museu de Arte Moderna).
Todo esse sucesso se deve ao seu grande talento, mas também a uma série de acasos e de estratégias mercadológicas que envolvem artista, galeristas e colecionadores.
Vik Muniz fez a coisa certa desde o início. Mudou-se para Nova York em 1984 e ali mesmo realizou sua primeira mostra individual, na Stux Gallery, em 1989.
Sua primeira série de trabalhos já tinha um forte apelo internacional. “The Best of Life” era uma série de reproduções de fotos históricas publicadas na revista “Life”, como o beijo na praça Times Square, uma platéia durante uma projeção de cinema em 3-D, o primeiro homem na Lua. Vik surgiu assim já deslocado de qualquer contexto regional de produção artística.
O banqueiro de investimentos José Olympio Pereira, colecionador de Vik, conta que o fato do artista morar em NY influenciou sua decisão de investir no artista. “Vik não foi amor à primeira vista. Eu tinha dificuldades com a figuração. Aproximei-me dele porque gosto do uso que ele faz de materiais inusitados e efêmeros, que é algo inédito, criativo e inovador. O fato de ele morar em NY e estar inserido em um circuito internacional era um bom indício de potencial de valorização”, diz José Olympio, que possui três obras do artista.
Em 1994, com cinco anos de carreira, Vik já havia realizado oito exposições individuais: em Nova York (quatro), São Francisco, Santa Mônica, Paris e São Paulo. Também havia sido incluído em mais de 30 mostras coletivas internacionais.
Os preços das obras vêm acompanhando as atividades do artista e também não param. As suas “fotografias de arame”, por exemplo, foram apresentadas em São Paulo em 1995 e custavam US$ 1,5 mil. Hoje custam US$ 6 mil, o que representa uma valorização de 300% em seis anos.
A galerista Márcia Fortes (da Galeria Fortes Vilaça, que o representa) justifica a valorização. “Vik já produziu oito séries de trabalho depois dos arames. Eles já são raridades. Já existe uma competição internacional por eles”, diz.
A sua galeria em São Paulo possui fotografias em terra ou arame (US$ 6 mil cada) e fotografias com restos de carnaval ou chocolate (US$ 12 mil cada). As fotografias com pó (apresentadas no Whitney Museum) valem US$ 15 mil. As fotografias com açúcar (exibidas na Bienal de São Paulo em 1998) estão esgotadas. Segundo Márcia Fortes, esse controle dos preços das obras de Vik Muniz é feito em parceria com a galeria de Nova York (Brent Sikema).
No ano passado, por exemplo, as pinturas de chocolate custavam US$ 10 mil, mas uma delas (“Action Photo 1”) foi colocada em leilão na Sotheby’s de Nova York e foi vendida por US$ 38 mil.
O sucesso da obra “Action Photo 1” é explicável e vai além de suas qualidades formais. A foto pertence à série “chocolate”, uma das mais conhecidas do artista; o leilão aconteceu em Nova York; e os americanos são loucos por Jackson Pollock, artista que é representado na obra. “É a imagem mais famosa de Pollock e ele é um dos ícones máximos da pintura norte-americana. A foto tornou-se um clássico, pois revisa um momento fundamental da arte norte-americana”, explica Márcia Fortes.
Segundo a galerista, essa venda provocou uma forte especulação em cima da obra do artista. “Nem o artista nem sua galeria acham que o preço recorde no leilão foi um bom negócio, pois isso pode inflacionar o mercado em cima de um lance especulativo. Nós e a galeria de Nova York decidimos segurar o preço da série em chocolate em US$ 12 mil. Um bom preço em um leilão pode valorizar a obra do artista ou provocar uma chuva de obras no mercado e acaba jogando o preço do artista para baixo”, diz Márcia Fortes.
Segundo ela, seu papel como galerista é resolver uma difícil equação entre alta demanda, pouca oferta, especulação em leilões e comercialização secundária por outros marchands. “Trata-se de um malabarismo conter os preços e, ao mesmo tempo, não defasá-los. A galeria tem que proteger a obra do artista e a suavidade do desenvolvimento de sua carreira ao longo dos anos e não agir com as obras como se fossem lances em uma bolsa de valores”, complementa Márcia Fortes.
Também é papel do galerista selecionar o destino das obras do artista, evitando, por exemplo, que se concentre nas mãos de marchands ou de poucos colecionadores. No Brasil, Vik está no acervo de importantes colecionadores brasileiros, como Frances Marinho, Isabella Prata, Gilberto Chateaubriand e Bernardo Paz.
Um número exagerado de obras nas mãos de poucos colecionadores pode não ser um bom negócio, pois dá a eles um grande poder de especulação. Um grande colecionador pode, por exemplo, pode forçar um lance recorde em um leilão apenas para que as obras em seu poder valorizem.
“O fato de ter um bom marchand, que tem controle sobre a produção e orienta o artista, é uma segurança para o colecionador. Existe sempre um risco em relação ao artista contemporâneo, mas sendo um bom artista e tendo um bom marchand, o sucesso é quase garantido”, diz o colecionador e investidor José Olympio.
A Pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta a instalação, A soma dos dias de Carlito Carvalhosa. O trabalho é composto por fitas de alumínio que sustentam grandes pedaços de tecidos (14 x 14m) e que envolvem todo o espaço central do Museu. Para completar, alunos da Escola de Música de São Paulo – Tom Jobim executarão obras do compositor americano Phillip Glass realizadas entre 1969 e 2009. As apresentações ocorrem uma vez por semana, e aos sábados a cada 15 dias, a programação inclui Eight Tunes for Piano, Music in the Shape of a Square, Two Pages, Melodies for Saxophone, Strung Out, String Quartets # 2, 3, 4, 5, Another Look at Harmony. Esta é a
Tente Novamente
terceira exposição do Projeto Octógono em 2010, com curadoria de Ivo Mesquita, curador chefe da Pinacoteca do Estado.
Esta instalação foi desenvolvida especialmente para o Projeto Octógono Arte Contemporânea. O título da obra, A soma dos dias, faz referência aos sons que serão captados e reproduzidos diariamente por alto falantes instalados no espaço. Segundo Ivo Mesquita, “O projeto de Carvalhosa cria um labirinto branco e perturbador, que oferece uma experiência de opacidade e quase cegueira, ao mesmo tempo em que envolve o expectador pelo som, que discretamente reverbera pelas paredes no interior do museu. Visão e audição são os sentidos postos em questão ou ativados pelo trabalho”. Esta exposição tem o patrocinio do banco Santander. Confira aqui
Instalação da francesa Dominique Gonzalez-Foerster no Instituto Inhotim (MG)
A partir desta quinta-feira (23) o Instituto Inhotim, complexo museológico situado em Brumadinho (MG), ganha novos pavilhões e trabalhos criados especialmente para o local. A obra do fotógrafo Miguel Rio Branco, assim como cinco Cosmococas — série de Hélio Oiticica (1937 – 1980) e Neville D´Almeida — são novidades, ao lado de uma instalação da francesa Dominique Gonzalez-Foerster e do “Palm Pavillion” de Rirkrit Tiravanija, artista argentina residente em Nova York.
O pavilhão dedicado à obra de Miguel Rio Branco se destaca entre as novidades. O projeto do escritório mineiro Arquitetos Associados tira partido do terreno íngreme e cria bela estrutura feita em aço corten, o mesmo usado por Amilcar de Castro em suas esculturas, e tem uma estrutura labiríntica em seu interior. “Ele meio se esconde, meio que força sua visibilidade”, resume o alemão Jochen Volz, um dos curadores de Inhotim e cocurador da mais recente edição da Bienal de Veneza, transcorrida no ano passado
Para Volz, o centro mineiro tem como objetivo criar projetos específicos para o diálogo entre o grande jardim botânico presente e a escala generosa de obras de arte contemporânea do acervo local. “Sempre pensamos: o que os outros não podem fazer?”, afirma ele. “Temos de refletir bem sobre o contexto de arte e natureza tão próprio daqui, além de dar visibilidade e recortes a obras representativas dentro do nosso acervo, caso bem claro de Rio Branco.”
O pavilhão dedicado ao artista nascido em Las Palmas e radicado no Rio coroa bom momento de sua trajetória. Ele tem exposição em cartaz atualmente no MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo) e é um dos participantes da 29ª Bienal de São Paulo, com o filme “Nada Levarei Qundo Morrer Aqueles que Mim Deve Cobrarei no Inferno”, realizado nos anos 70 no Pelourinho, Salvador, antes da reforma. O pavilhão privilegia filme e videoinstalações, como “Diálogos com Amaú”, de 1983, e “Entre os Olhos”, algumas delas menos conhecidas na carreira do artista.
Outro projeto dos Arquitetos Associados é o pavilhão dedicado às cinco Cosmococas, de Hélio Oiticica e Neville D´Almeida. Também labiríntica em seu interior, está planejada para ser um espaço tal qual os artistas imaginaram, onde o público pode entrar numa piscina e “participar” da obra de arte, descansar em redes e fazer outras atividades propostas pelos trabalhos ambientais.
Visitantes observam fotografias de Miguel Rio Branco no Instituto Inhotim (MG)
A francesa Dominique Gonzalez-Foerster concebeu uma obra, “Desert Park”, especificamente para Inhotim, onde fica localizada atrás do pavilhão de Adriana Varejão. Decorrência de experiências anteriores da artista na Documenta e em Münster, compila variados tipos de ponto de ônibus em uma grande área de areia branca. O ambiente quase lunar ajuda a compor uma paisagem de um certo modernismo, presente na arquitetura dos pontos, típico das áreas urbanas brasileiras. “Promenade”, obra presente anteriormente em Inhotim, continua a ser exibido na galeria Mata, no centro do complexo. Rirkrit Tiravanija remonta próximo à “Beam Drop”, obra de Chris Burden, seu “Palm Pavillion”, peça que foi exibida na 27ª Bienal de São Paulo, em 2006.
Nas galerias, com exceção do cubano Diango Hernández, artistas brasileiros são os contemplados com obras novas em exibição. Alexandre da Cunha, Laura Vinci, Marcius Galan e Marcellvs L têm trabalhos expostos. O carioca Ernesto Neto também ganha espaço com um remontagem histórica de “Copulônia”, de 1989, primeira peça na qual lida com materiais têxteis junto de outros mais rígidos, expandindo o conceito de escultura e criando uma tensão entre as diferenças do que foi construído. “Inhotim também tem a preocupação de exibir obras que foram pouco vistas ou montadas e que são importantes no desenvolvimento da arte contemporânea do país”, diz Rodrigo Moura, um dos curadores do centro. “Copulônia” somente foi exposta no Espaço Macunaíma, no Rio, no ano de sua criação.
Acervo de ponta
A abertura das novas obras consolida Inhotim como um dos centros de arte contemporânea mais importantes do Brasil, ratificando o bom momento da arte brasileira em âmbito externo. Nomes prestigiados do circuito estiveram recentemente ou irão especialmente para o centro, como as curadoras das próximas edições da mostra alemã Documenta, Carolyn Christov-Bakargiev, e da Bienal de Veneza, Bice Curiger, entre outros.
Inaugurado em 2004, Inhotim é referência em arte contemporânea no Brasil por dar a chance de o público ver obras de nomes centrais na cena atual, como Steve McQueen, Matthew Barney, Doug Aitken, Janet Cardiff, Doris Salcedo e Olafur Eliasson, entre vários outros, lado a lado de artistas brasileiros de trajetória estabelecida, como Cildo Meireles, Tunga, Varejão e Valeska Soares.
O centro planeja novas expansões, como pavilhões e obras específicas de Pipilotti Rist, Cristina Iglesias e Eliasson, além de um grande edifício destinado a expor obras do acervo. “Vai ser quase como um museu. Precisamos de um espaço maior para exibir o que adquirimos, as galerias que temos já não dão conta disso”, conta Volz.
É empolgante ver o artista plástico brasileiro Cildo Meireles falando de arte – especialmente porque, longe de qualquer formalismo acadêmico, para ele a arte deve ser – mais do que vista – sentida, experimentada, sem a busca de explicações ou decifrações complexas. “Se uma pessoa não conhece matemática, tudo que cerca números pode parecer difícil. Normalmente, a explicação é simples. O mistério nasce da ideia. E eu não me interesso muito pelo teatro em torno das ideias”, disse o artista plástico em entrevista ao UOL Cinema.
Cildo Meireles
Dirigido por Gustavo Rosa de Moura, “Cildo”, documentário sobre o artista e sua arte, que estreia nesta sexta-feira em São Paulo, desmistifica com eficiência o clichê de que arte conceitual é inacessível – ou seja, segue a mesma proposta do retratado. “Não há entrevistas com críticos, acadêmicos, pesquisadores. No filme, quisemos deixar que as pessoas pensassem sozinhas. Damos os elementos, mas cada um pode refletir por si próprio. Não há obrigação de acompanhar um raciocínio”, explica o diretor.
Moura sabe que filmar uma instalação de Cildo não substitui a visita física à obra mas, com sua câmera, tentou buscar o máximo que cada peça poderia render no cinema. “Cada obra precisou de uma solução diferente. ‘Babel’, por exemplo, é uma instalação com diversos rádios. Buscamos algo meio onírico”, conta o cineasta, que trabalhou com Alberto Bellezia assinando a fotografia.
O próprio Cildo destaca o trabalho de Bellezia no registro de suas obras com a câmera, alegando que essa integração entre a imagem e a peça física mostra como é o contato entre uma pessoa e as artes plásticas. “Muitos dos meus trabalhos só existem no momento em que você interage com eles. A arte plástica pressupõe um contato físico. O Gustavo e o Alberto mostram no filme como isso pode se dar”.
O diretor não conhecia o artista plástico pessoalmente quando foi convidado a dirigir o filme. A apresentação aconteceu por intermédio de um amigo em comum. Ao longo dos anos, desde 2005, Moura acompanhou Cildo e seu trabalho, captando imagens sobre a montagem de peças, exposições – especialmente uma retrospectiva na galeria Tate Modern, em Londres, que ocorreu entre outubro de 2008 e janeiro de 2009.
Para Cildo, a relação de quatro anos com Moura resume-se numa palavra: camaradagem. “O filme me acompanha a diferentes lugares e contextos e é capaz de passar a minha velocidade, o jeito que eu lido com a criação, com as obras. Não me senti traído – pelo contrário”, afirma o artista.
Ao longo de sua pesquisa para “Cildo”, o documentarista encontrou um curta de 1979 sobre o artista plástico dirigido por Wilson Coutinho, crítico de arte do jornal “O Globo”, morto em 2003. “O filme ia bem ao encontro da minha arte. É um curta com inserções ideológicas”, diz o artista. Numa das cenas, que é exibida no longa, John Wayne, numa cena de western, é dublado em português, falando sobre a arte de Cildo. Moura adianta que o curta sairá como extra do DVD.
Os mais de trinta anos que separam os dois filmes sobre Cildo poderiam levá-lo a pensar sobre sua trajetória, mas ele prefere trabalhar a reexaminar o passado. “É sempre estranho rever a si mesmo. São tempos diferentes, a gente sempre muda. Nesses anos aconteceram muitas obras e exposições. O documentário me deu uma oportunidade rara de revisitar os meus trabalhos. Rever a si mesmo dando alguns passos não é estranho. Mas rever sua carreira toda é outra coisa.”
Desde 9 de setembro de 2009 – sem previsão de encerramento, acervo do MASP
A mostra POUSSIN, RESTAURAÇÃO
Após oito meses de intensos trabalhos, uma das maiores obras do gênio francês do século XVII, Nicolas Poussin, ganha nova vida. A partir de 9 de setembro, dia em que o museu abre excepcionalmente grátis, o público poderá conferir o resultado do minucioso trabalho de restauração na obra Himeneu Travestido Assistindo a uma Dança em Honra a Príapo, datada entre 1634 a 1638, realizado pela brasileira Regina da Costa Pinto Dias Moreira, restauradora do Museu do Louvre, por Jean-Pascal Viala e Emmanuel Joyerot, restauradores franceses especializados em suporte de tela, sob coordenação da restauradora do MASP, Karen Cristine Barbosa, e Eugênia Gorini Esmeraldo, coordenadora de Intercâmbio do museu paulistano.
Poussin, Restauração ocupa uma sala especial no 2º andar. Além da obra, a exposição conta ainda com um dossiê de imagens executado antes do início do processo de restauração. Este dossiê é composto por fotografias com luz direta, com luz rasante, fotografia de infravermelho, fluorescência de ultravioleta, fotografia em falsa cor e do verso, finalizando com radiografias de raios X. Todo o processo da restauração está exposto, de forma bastante didática, ilustrado com fotos e duas vídeo-projeções que revelam o complexo processo de uma restauração. O projeto foi realizado por uma equipe multidisciplinar de cientistas, físicos, químicos, radiologistas e restauradores franceses e brasileiros. Regina Dias Moreira e Karen Barbosa, além do historiador Renato Brolezzi, assinam textos que também fazem parte da mostra
Desvíos de la deriva. Conversación entre Lissette Lagnado y María Berrios
Recorrido con Lissette Lagnado y María Berrios en torno a la exposición Desvíos de la deriva. Experiencias, travesías y morfologías (Museo Reina Sofía, del 5 de mayo al 23 de agosto). A través de una serie de temas, esta conversación plantea una modernidad específica, que no es alterna ni central, sino que recoge las posibilidades de transformación lúdica y poética de la sociedad y casos de pedagogía colectiva en episodios arquitectónicos de América Latina en el segundo tercio del s.XX.
Fechas: 5 de mayo – 23 de agosto de 2010 Lugar: Edificio Sabatini, Planta 3 Organización: Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía Comisariado: Lisette Lagnado y María Berríos Actividades relacionadas: Seminario y taller
Flavio de Carvalho. Experiência nº 3, New Look.
Las diferentes concepciones arquitectónicas brasileñas y chilenas, que participan en esta exposición, tienen en común una carga humanista y visionaria en su forma de pensar la relación entre espacio público y vida colectiva, topografía y urbanismo, que se refleja tanto en los dibujos, textos y maquetas de Flavio de Carvalho (1899-1973), Juan Borchers (1910-1975), Lina Bo Bardi (1914-1992), Roberto Matta (1911-2002), Sergio Bernardes (1919-2002), como en la enseñanza comunitaria desarrollada en la Escuela de Valparaíso. Poetas-arquitectos, situados entre un creciente impulso hacia lo moderno y la creencia en la capacidad de la tecnología para reducir jornadas de trabajo y aumentar el tiempo dedicado al ocio, tratan de expandir los espacios para un homo ludens y poner en práctica una vida en comunidad que, en Brasil, se apoya en la lectura de Carvalho del Manifiesto Antropófago (1928) de Oswald de Andrade, mientras que en Chile adopta la disciplina de las virtudes basadas en la hospitalidad y la disponibilidad.
La cuestión de la deriva surge aquí como respuesta a otra pregunta: ¿dónde están los límites de la profecía racionalista en Sudamérica? Nos vienen a la mente la noción de “urbanismo unitario” de Constant así como la idea de “deriva” de Guy Debord y sus compañeros, pero aquí no las va a encontrar. En su recorrido, el visitante comprenderá que no está en la Europa que vio cómo se “desmoronaba la casa del Hombre” 1 , y mucho menos frente a las premisas racionalistas que construyeron la modernidad. Antes de su primer viaje a Sudamérica, Le Corbusier (1887-1965) consideraba que utilizar el “meandro” significaba reproducir el trazado irregular del “camino del burro” de la ciudad medieval. Sin embargo, después de su viaje en 1929 ya se permitía vislumbrar un edificio-viaducto con la forma de una inmensa ola instalada en la topografía de los cerros. Esta exposición plantea el cuestionamiento que el Nuevo Mundo hace de las viejas civilizaciones, así como la conocida distinción que Sergio Buarque de Holanda (1936) establece entre la portuguesa “dejadez del sembrador” y la española “razón del enladrillador” para explicar las diferentes fases de colonización, dominación y urbanización: mientras que la primera tipología evoluciona de forma aleatoria, la segunda se construye deliberadamente en forma de retícula.
Sin embargo, existen otras formas de deriva aunque sus nombres sean otros: experiencia, morfología psicológica, travesía. No fueron ni arquitectos ni urbanistas, sino poetas, los que inventaron nombres para evocar civilizaciones en los trópicos y en los Andes: Utopialand es el resultado de la aventura brasileña de Blaise Cendrars en los míticos años veinte a través de un continente imbuido de esperanzas; mientras que la Amereida, una Eneida del sur, surge en 1965 de un proceso colectivo que deliberadamente prescinde de la autoría. 2
Igual que Cendrars, otros extranjeros consideraban Brasil una “patria espiritual”, caracterizada por una naturaleza soberana y fronteras nacionales flexibles. Para Lina Bo Bardi, que emigró a su “patria de elección” en 1946, la arquitectura es un “arte que tiene que considerar seriamente la tierra donde se pone en práctica”.3 Su elogio de la calidad vernácula de la autoconciencia moderna deriva del Manifiesto Antropófago. Comprender la coexistencia de la artesanía con diversos modos de producción industrial, permite iluminar el tema de la “síntesis de las artes” a la vez que sirve de pista para acompañar el recorrido de la exposición.
El boceto de Le Corbusier en el que anticipa el futuro de Río de Janeiro –y que Sergio Bernardes desarrolla en la versión de 1965 de sus barrios-verticales– ha generado interpretaciones divergentes. En torno a la figura del maestro se articula una admiración común, pero también conflictos puntuales que tienen como consecuencia desvíos de ruta. Es lo que sucede con el joven Roberto Matta, que dejó Chile para trabajar con Le Corbusier en 1934-1935, y acaba renegando de él para abrazar el surrealismo, celebrado en Matemática Sensible – Arquitectura del Tiempo 4 . Para Matta, la humanización de la arquitectura en un espacio puramente subjetivo y psíquico implica una forma de erotización espacial: el espacio se vuelve blando para amoldarse a los cuerpos y deseos sensoriales de sus habitantes.
El encuentro de Le Corbusier con Flavio de Carvalho en 1929 tampoco fue muy fructífero, pues los esfuerzos del brasileño por introducir la sintaxis de la arquitectura moderna en São Paulo no llegaron a concretarse; sus proyectos no construidos refuerzan el estigma de “revolucionario romántico” que Le Corbusier le atribuyó. Sigue un camino opuesto a la “eficacia” de las directrices del maestro, porque Carvalho tenía otros paradigmas en mente, inspirado sobre todo en la lectura de Freud. La ciudad del siglo XX sería una extensión de la casa y estaría destinada al “hombre desnudo” (antropófago), libre de los conceptos del estilo de vida burgués, de la familia y de la propiedad. Esta propuesta se pone de manifiesto en su New Look (1956), un traje tropical masculino adecuado a la vida moderna en el trópico, que precede a la minifalda.
Jogos e torneios, Cidade Aberta, 1972-1977
Entonces, ¿cómo justificar una oda al urbanismo funcionalista en ciudades latinoamericanas que prosperan en la informalidad? ¿Podemos afirmar que la deriva siempre ha sido la mejor respuesta? Para entender este imaginario urbano, Adrián Gorelik apunta a la “interrupción” como un signo recurrente en la representación simbólica de los países sudamericanos.5 Esta exposición pone de relieve muchas rutas contaminadas, inconclusas, suspendidas o traicionadas. El 31 de julio de 1965, en Punta Arenas, en el extremo sur de Chile, la prensa local anuncia: “Diez profesores universitarios inician un estudio geo-poético por América Latina”. El 10 de septiembre, antes de llegar a Santa Cruz de la Sierra, en la cuenca amazónica, la travesía debe retroceder por un motivo sólo conocido dos años después: la guerrilla del Che Guevara se encontraba en la región, ya controlada por los servicios de inteligencia de los Estados Unidos.
Por motivos más complejos, cuya explicación no es pertinente aquí, Sudamérica se convierte en un laboratorio fértil de múltiples heterotopías o contra-modelos. Muchas de estas manifestaciones artísticas han sido consideradas tardías, incluso engañosas, hasta hace poco tiempo. Lejos de haber agotado su potencial, resurgen incluso para ensombrecer la mala conciencia de las narrativas eurocéntricas. De nuevo, fue Lina Bo Bardi quien reconoció la importancia de la cultura popular en la creación de la modernidad brasileña, cuando escribió que “la arquitectura moderna brasileña no deriva de la colonial sino de aquella primitiva del ‘caipira’ [ámbito rural] del campesino”.6
A partir de la década del sesenta, la arquitectura representa una alternativa para canalizar aptitudes artísticas y las escuelas ofrecían una mezcla de ciencias humanas (filosóficas y antropológicas) que reemplazaba el enfoque técnico y militar asociado al arquitecto-ingeniero. Su manera flexible de concebir el territorio en términos culturales implicaba que el espacio podía ser abordado a través de la poiesis más que desde una agenda estrictamente funcionalista. Ciudad Abierta, en Valparaíso, traduce este mismo ímpetu por abarcar lo que la vida tiene de imprevisto. Hoy, aunque circunscrita a la experiencia universitaria, su legado representa de manera clara la idea de una utopía sin eco dentro de un sistema neoliberal que continúa resistiéndose a enfrentar su incapacidad para producir espacios habitables.
Selección bibliográfica
Flavio de Carvalho, Comisariada por Walter Zanini y Rui Moreira Leite, 17ª Bienal de São Paulo, 1983
Ferraz, Marcelo (Coord. ed.), Lina Bo Bardi, São Paulo: Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, 1993
Le Corbusier, Précisions. Sur un état présent de l’ Architecture et de l’Urbanisme, Paris: Les Éditions G. Crès et Cie., Collection de “L’Esprit Nouveau”, 1930 [ed. cast: Precisiones respecto a un estado actual de la arquitectura y el urbanismo, Barcelona: Apóstrofe, 1999]
Pérez de Arce, Rodrigo; Pérez Oyarzun, Fernando, Escuela de Valparaíso. Grupo Ciudad Abierta, Madrid: Tanais Ediciones, 2003
La deriva es nuestra
Tipo de actividad: Seminario y taller Fecha: 30 de junio – 3 de julio de 2010 Inscripción Seminario:entrada gratuita Inscripción Taller: gratuito en programasculturales2@mcu.es
¿Cómo ser americano y moderno? ¿Cómo relacionarse con el referente europeo? Observaciones antropológicas y actos poéticos permiten expandir la experiencia con la topografía del lugar. En relación a la exposición Desvíos de la deriva, el Museo Reina Sofía propone un taller inspirado en el método de enseñanza de la Escuela de Valparaíso, en el que poetas y arquitectos estimulan el carácter lúdico-constructivo de los participantes. Al contrario de la narrativa que privilegia la implantación urbana racional, especialistas llegados de Brasil y Chile, junto a urbanistas y arquitectos españoles, llevarán a cabo unas jornadas de trabajo que incluirán travesías por la ciudad y conferencias en las terrazas del Museo.