Abraham Palatnik, Exposições

A estética do movimento pelo pioneiro Abraham Palatnik

Mostra apresenta síntese de sua trajetória dedicada a criações cinéticas no Brasil.

Abraham Palatnik é considerado um pioneiro da arte cinética no Brasil. Antes de fazer suas primeiras máquinas, era apenas pintor, mas desistiu dos pincéis quando, em 1948, no Rio, visitou o Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro com o crítico Mário Pedrosa, conhecendo, assim, o trabalho de arte que a doutora Nise da Silveira realizava com doentes mentais. “Fiquei muito impressionado com as pinturas que eles faziam. Quando as comparei com minhas obras, vi que meu subconsciente era muito pobre”, diz Palatnik.

O artista ficou atordoado, queria criar algo novo, e foi Pedrosa que o “acalmou” e o incentivou, dizendo que muito podia ser feito. “De repente me vi cercado de engrenagens, articulações, de uma pesquisa sobre a luz”, afirma o artista. Em 1951, exibiu na primeira Bienal de São Paulo o aparelho Cinecromático, uma caixa em que são projetadas formas coloridas em movimento, obra que ninguém sabia definir naquela ocasião. Desde então, foi uma trajetória sem limite para a experimentação, em técnicas, materiais e objetos cinéticos – e esse dado tão especial relacionado ao artista, agora com 81 anos, é o mote da exposição Ocupação Abraham Palatnik, que o Itaú Cultural inaugura hoje para convidados e amanhã para o público. Com curadoria de Aracy Amaral, convidada de Palatnik para tal tarefa, a exposição é enxuta, uma “síntese”, ela diz, que ressalta a variedade de experimentações e que coloca, além de obras, três vídeos sobre o artista e o contexto das criações de seus trabalhos.

Objeto cinético feito por Palatnik em 1966

Objeto cinético feito por Palatnik em 1966

A mostra começa com o único óleo sobre tela do conjunto único, também, autorretrato que Palatnik, ascido em Natal, no Rio Grande do Norte, realizou em 1945, em Israel, coincidentemente, concluído no dia em que foi anunciado o fim da segunda Guerra. “Hitler estava acabado e já era esperado o término da guerra”, conta o artista. Depois de seu autorretrato, única obra figurativa, seguem-se na mostra pinturas feitas com barbantes, ripas de madeira cortadas a laser e sobre vidro, duas raras criações em resina poliéster da década de 1970, além, claro, de objetos cinéticos realizados em anos diferentes – pelos quais Palatnik, que vive no rio, está identificado – e um Aparelho Cinecromático que, instalado em uma sala escura, deixa o espectador hipnotizado pelo movimento lento e leve das combinações diversas de formas em tantas tonalidades.

Dar ordem ao movimento é uma das considerações que se faz em relação à obra de Palatnik, “artista anticaos” que, curiosamente,  ressalta em suas criações algo de lúdico nos objetos feitos de uma tecnologia simples e inteligente. “Penso nos objetos cinéticos dele como um trabalho de relojoaria, em que os elementos se unem em harmonia”, diz Aracy. “Sempre trabalhei sozinho nos mecanismos e máquinas, fazendo articulações inventadas por necessidades imediatas:e deu certo”, afirma agora Palatnik, que, curiosamente, conta que seu ensejo para a criação de seu primeiro aparelho cinecromático foi a observação da sombra de uma vela em um dia que houve falta de eletricidade.

Abraham Palatnik - W-122 - Acrilico sobre madeira - 86 x 119 cm - 2006

Abraham Palatnik – W-122 – Acrilico sobre madeira – 86 x 119 cm – 2006

Iniciou-se, assim, uma pesquisa de décadas sobre a luz e o movimento sem deixar de ser, ainda, uma experimentação com a cor – Palatnik “também” é pintor, como diz. Para um artista que se baseou em “princípios estéticos, a vida toda”, ele afirma, chama a atenção que o cinetismo não se dá apenas nas máquinas e aparelhos, mas também nas telas, que são construções, relevos em progressões e ondulações de camadas de ripas de madeira, cartões cortados com estiletes, tela com barbantes ou a pintura de uma geometria leve sobre vidro. “Fui desenvolvendo a técnica adequada para cada material”, afirma Palatnik. Primeiro, como frisa, sua preocupação é o movimento para depois colocar a cor, “último elemento, o mais prazeroso”, diz Aracy.

ABRAHAM PALATNIK – Itaú Cultural

Quando: abertura 02/Dezembro, às 20h;
ter. a sex., das 10h às 21h;
sáb. e dom., das 10h às 19h;
até 10/Dezembro

Onde: Itaú Cultural (av. Paulista, 149, tel. 2168-1776)

Quanto: entrada franca

ABRAHAM PALATNIK
Quando: abertura amanhã, às 20h; ter. a sex., das 10h às 21h; sáb. e dom., das 10h às 19h; até 10/1
Onde: Itaú Cultural (av. Paulista, 149, tel. 2168-1776)
Quanto: entrada franca
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Abraham Palatnik

Abraham Palatnik

Um dos pioneiros da arte cinética no Brasil, Abraham Palatnik que hoje é referência com suas obras que são de grande importância no cinetismo, atualmente vive no Rio de Janeiro onde vem desenvolvendo trabalhos que unem pesquisa visual e rigor matemático, buscando com extrema liberdade transgredir das técnicas tradicionalmente conhecidas  unindo tecnologia e arte para realizar obras que criam movimentos e jogos de luzes que nos proporcionam essencialmente o contato com o inesperado projetando-se para além da retina, com um olhar atento podemos retirar toda sua potencialidade poética.

Biografia – Abraham Palatnik (Natal, 19 de fevereiro de 1928 – Atualmente vive no Rio de Janeiro)

Entre 1928/1932, Abraham Palatnik de familia com origem judia e russa vive em Natal,  Rio Grande do Norte, entre 1932/1947 transfere-se com a familia para Israel onde estudou pintura e história da arte no ateliê de Aron Ani, escultura com Sternshus e estética com Dr. Shor. na mesma época em que fazia um curso de motores a explosão (nas escolas Herzlla e Montefiori em Tel Aviv, esta última de especialização em motores de explosão) na antiga Palestina, atual Israel.

De volta ao Brasil, em 1948, continua sua orientação estética com Mário Pedrosa e integra o primeiro núcleo de artistas abstratos do Rio de Janeiro. No ano seguinte, iniciou suas pesquisas no campo da luz e do movimento, responsáveis por seu reconhecimento como um dos pioneiros da Arte cinética. Em 1951, ter seu primeiro trabalho exposto na 1ª Bienal Internacional de São Paulo foi uma verdadeira aventura,  visto que não se tratando de pintura convencional não foi aceito pela comissão e foi somente introduzido posteriormente.

W-122 - Acrilico sobre madeira - 86 x 119 cm

W-122 - Acrilico sobre madeira - 86 x 119 cm

Integrou o Grupo Frente e participou de três das quatro mostras realizadas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1955, e em Resende e Volta Redonda, em 1956. O artista produzia pinturas abstratas aliadas ao mobiliário simultaneamente aos cinecromáticos, depois passou a desenvolver objetos móbiles cinéticos e relevos com papéis que remetem às nossas dunas potiguares. Palatnik rompe com a pintura, formalmente, mas dá continuidade incursionando em seu discurso pictórico novos materiais e desenvolvendo novas propostas objectuais. Percursor também da Art High Tech, podemos citar como redimensionamento da pinturacesa a poética High Tech de alguns brasileiros.

Participou da 1ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul em 1997, em 2007 faz parte da exposição “Lo(s) Cinetico(s)”, no Centro de Arte Reina Sofia em Madrid/Espanha. Hoje vem exibindo seus trabalhos pelo mundo, é reconhecido internacionalmente e considerado o “pai” do cinetismo.

Cronologia

1928/1932 – Vive em Natal, Rio Grande do Norte
1932/1947 – Transfere-se com a família para Israel
1942/1945 – Faz curso de especialização em motores de explosão na Escola Montefiori, Tel Aviv, Israel
1943 – Freqüenta os estúdios do pintor Haaron Avni e do escultor Sternshus; se torna aluno de estética de Shor, em Tel Aviv, Israel.
1943/1947 – Estuda pintura, desenho, história da arte e estética no Instituto Municipal de Arte, Tel Aviv, Israel
1948 – Retorna ao Brasil e reside no Rio de Janeiro. Conhece o crítico Mário Pedrosa (1900 – 1981), de quem passa a receber orientação estética
ca.1948 – Levado por Almir Mavignier, orientador do ateliê de pintura, conhece o Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro
1949 – Inicia pesquisa no campo da luz e movimento
1951 – Dedica-se à solução de problemas técnicos industriais
1951 – Desenvolve processos de controle visual e automático em indústrias
1951 – Inventa várias máquinas e dispositivos de uso industrial e obtém patentes
1951 – Cria seu primeiro Aparelho Cinecromático
1954/1956 – Integra o Grupo Frente, no Rio de Janeiro
1955 – Projeta móveis modernos
1962 – Inventa um jogo de percepção O Quadrado Perfeito, e obtém copyright
1964 – Cria os Objetos Cinéticos, um desdobramento dos Objetos Cinecromáticos
1988 – Participa, como convidado, do concurso Uma Escultura para o Mar de Angra, promovido pela secretaria de Turismo do Rio de Janeiro
2002 – Recebe medalha do mérito Alberto Maranhão do Governo do Rio Grande do Norte
2002 – Lançamento do vídeo O Mundo da Arte – Abraham Palatnik – A Arte do Tempo, Documenta Vídeo Brasil, direção Carlos Cavalcanti.
Atualizado em 08/07/2009
Fonte: Itaú Cultural

1928/1932 – Vive em Natal, Rio Grande do Norte

1932/1947 – Transfere-se com a família para Israel

1942/1945 – Faz curso de especialização em motores de explosão na Escola Montefiori, Tel Aviv, Israel

1943 – Freqüenta os estúdios do pintor Haaron Avni e do escultor Sternshus; se torna aluno de estética de Shor, em Tel Aviv, Israel.

1943/1947 – Estuda pintura, desenho, história da arte e estética no Instituto Municipal de Arte, Tel Aviv, Israel

1948 – Retorna ao Brasil e reside no Rio de Janeiro. Conhece o crítico Mário Pedrosa (1900 – 1981), de quem passa a receber orientação estética

ca.1948 – Levado por Almir Mavignier, orientador do ateliê de pintura, conhece o Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro

1949 – Inicia pesquisa no campo da luz e movimento

1951 – Dedica-se à solução de problemas técnicos industriais

1951 – Desenvolve processos de controle visual e automático em indústrias

1951 – Inventa várias máquinas e dispositivos de uso industrial e obtém patentes

1951 – Cria seu primeiro Aparelho Cinecromático

1954/1956 – Integra o Grupo Frente, no Rio de Janeiro

1955 – Projeta móveis modernos

1962 – Inventa um jogo de percepção O Quadrado Perfeito, e obtém copyright

1964 – Cria os Objetos Cinéticos, um desdobramento dos Objetos Cinecromáticos

1988 – Participa, como convidado, do concurso Uma Escultura para o Mar de Angra, promovido pela secretaria de Turismo do Rio de Janeiro

2002 – Recebe medalha do mérito Alberto Maranhão do Governo do Rio Grande do Norte

2002 – Lançamento do vídeo O Mundo da Arte – Abraham Palatnik – A Arte do Tempo, Documenta Vídeo Brasil, direção Carlos Cavalcanti.

Fonte: Itaú Cultural

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