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Nuno Ramos


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OBRAS DO ARTISTA

 - Dois Irmãos
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Dois Irmãos

Técnica: escultura em alumí­nio fundido, sal, terra e vidro
Data: 2003
Medida: 300x300x100
Comentários: sem assinatura

Obra composta por duas peças de tamanhos distintos.

Preço: Sob Consulta
 - Homenagem a Goeldi
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Homenagem a Goeldi

Técnica: técnica mista sobre papel
Data: s.d.
Medida: 59 x 39 cm
Comentários: ass. inf. dir.
Exemplar P.A.

Preço: Sob Consulta

Leilão de Artes Online

BIOGRAFIA

Nuno Ramos (São Paulo SP 1960)

Nuno Álvares Pessoa de Almeida Ramos

Escultor, pintor, desenhista, cenógrafo, ensaísta, videomaker.

Nuno Ramos nasceu em 1960, em São Paulo, onde vive e trabalha. Formado em filosofia pela Universidade de São Paulo, é pintor, desenhista, escultor, escritor, cineasta, cenógrafo e compositor. Começou a pintar em 1984, quando passou a fazer parte do grupo de artistas do ateliê Casa 7. Desde então tem exposto regularmente no Brasil e no exterior. Participou da Bienal de Veneza de 1995, onde foi o artista representante do pavilhão brasileiro, e das Bienais Internacionais de São Paulo de 1985, 1989, 1994 e 2010. Em 2006, recebeu, pelo conjunto da obra, o Grant Award da BarnettAnnalee Newman Foundation.

Dente as exposições individuais que fez, destacam-se, em 2010, as produzidas na Gallery 32, em Londres, Inglaterra no Galpão Fortes Vilaça, em São Paulo, Brasil e no MAM - Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil. Em 2009, apresenta Mar morto (Soap Opera 2) na Galeria Anita Schwartz, no Rio de Janeiro. Em 2008, participa do projeto Respiração, da Fundação Eva Klabin, no Rio de Janeiro, com a exposição Pergunte ao. No mesmo ano, Asa branca, Funarte, Belo Horizonte, Brasil Fodasefoice, Galpão Fortes Vilaça Bandeira branca, CCBB - Centro Cultural Banco do Brasil, Brasília, Brasil, e Galeria Bernardo Marques, Lisboa, Portugal. Em 2006, Ai de mim! , Galeria Fortes Vilaça, São Paulo Vai, vai, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo. Em 2004, Morte das casas, CCBB, São Paulo e Pinacoteca do Estado de São Paulo. Em 2003, O que são as horas?, MAP - Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte. Em 2002, Luz negra, Galeria Fortes Vilaça, e Terra da sede, Centro Universitário Maria Antônia, São Paulo. Em 1999 e 2000, realizou a primeira retrospectiva de sua obra, apresentada no Centro de Artes Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, e no MAM, São Paulo, respectivamente. Ainda em 2000, ParaGoeldi 2, Casa Vermelha, Curitiba, Brasil. Em 1996, As vezes, reconstrução da galeria da Universidade Federal do Espírito Santo, em Vitória, Brasil, com modelo 10 menor que o original e em seu próprio interior e ParaGoeldi, AS Studio, São Paulo. Em 1995, 46ª Bienal de Veneza, Itália Milky Way, Brooke Alexander Art Gallery, Nova York, EUA. Em 1994, Montes, Sesc Pompéia, São Paulo. No final de 1992, apresenta, na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, 111, obra produzida sob o impacto do assassinato de 111 presidiários na invasão da Casa de Detenção do Carandiru, em São Paulo, ocorrida em outubro daquele ano. Também em 1992, expõe no Centro de Estudos Brasileiros, Assunção, Paraguai.

Nas exposições coletivas de que participou destacam-se, em 2010, a XXIX Bienal Internacional de São Paulo. Em 2008, De perto e de longe - Paralela 08, Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e God Is Design, Galpão Fortes Vilaça. Em 2005, 5ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre, 29º Panorama de arte brasileira, MAM, São Paulo. Em 2004, Afinidades e diversidades, Projeto Carlton Encontro com Arte, São Paulo - exposição conjunta com o americano Frank Stella, influência importante em sua obra. Em 2003, Novas aquisições 2003 - Coleção Gilberto Chateubriand, MAM, Rio de Janeiro, e Marcantonio Vilaça - Passaporte contemporâneo, MAC/USP - Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. Em 2000, O trabalho do artista, Instituto Itaú Cultural, São Paulo e a exposição itinerante Ultrabaroque - Aspects of Post Latin American Art, Museum of Comtemporary Art, San Diego, EUA/Museu de Arte de Porto Rico, Porto Rico/Chicago Cultural Center, Chicago, EUA/Atarazanas, Valência, Espanha/Forth Worth Museum of Modern Art, São Francisco, EUA/Museum of Modern Art, Walker Art Center, Mineápolis, EUA. Em 1999, Por que Duchamp? , Paço das Artes, São Paulo. Em 1997, Fronteiras, Itaú Cultural, São Paulo. Em 1994, Mácula, XXII Bienal Internacional de São Paulo. Em 1992, Latin American Artists of the 20th Century, Sevilha, Espanha/Centre Pompidou, Paris, França/Colônia, Alemanha/MOMA - Museum of Modern Art, Nova York, EUA. Em 1989, XX Bienal Internacional de São Paulo. Em 1988, Brasil já, Museum Morsbraich, Leverkusen Sprengel Museum Hannover, Hannover e Galeria Landergirokasse, Stuttgart, todos na Alemanha. No mesmo ano, Modernidade, Musée de La Ville de Paris, França, e MAM, São Paulo. Em 1986, 2ª Bienal de La Habana, Havana, Cuba. Em 1985, Casa 7, MAM, Rio de Janeiro, e MAC/USP, São Paulo XVIII Bienal Internacional de São Paulo. Em 1984, 2º Salão de Arte Contemporânea em São Paulo - Prêmio de Aquisição, São Paulo.

Nuno Ramos também trabalhou como obras ao ar livre em que o elemento natural - o mar, a rocha, o solo, o tempo - era parte integrante do trabalho. Aqui, destacam-se Iluminai os terreiros (2006) Marémobília, Marécaixão e Minuano (2000) Calado e Dois irmãos (2003) Cabreúva (2001) Fornalha (1997) e Matacão (1996) .

Como escritor, publicou O mau vidraceiro (2010), Ó (2008), Ensaio geral (2007), O pão do corvo (2001) e Cujo (1993) .

Como cineasta, roteirizou e codirigiu com Clima, em 2002, os curtas-metragens Luz negra (ParaNelson 1) e Duas horas (ParaNelson 1) . Em 2004, roteirizou o e dirigiu o curta Alvorada. Roteirizou e codirigiu com Clima e Gustavo Moura o curta Casco, também em 2004, e Iluminai os terreiros, em 2006.

Recebeu em 2009, o Prêmio Portugal Telecom de Literatura por Ó. Em 2006, ganhou o Grant Award da BernettAnnalee Newman Foundation o 2º Prêmio Bravo! Prime de Cultura, Artes Plásticas - Exposição e o Prêmio Mário Pedrosa - ABCA - Associação Brasileira de Críticos de Arte. Em 2000, venceu o concurso El Olimpo - Parque de La memoria, para a construção, em Buenos Aires, de monumento em memória aos desaparecidos durante a ditadura militar argentina. Em 1987, recebeu a 1ª Bolsa Émile Eddé de Artes Plásticas do MAC/USP. E, em 1986, o Painting Prize, 6th New Delhi Triennial, Nova Délhi, Índia.

Crítica

Gestar, justapor, aludir, duplicar são quatro modos que Nuno Ramos encontrou para salientar e problematizar a invenção na arte. É através deles que construiu, para além das variações estilísticas ou de aparência visual mais imediata, um invariante poético. O artista nunca se afastou de uma poética que, para onde quer que se desvie, sempre buscou dar continuidade ao descontínuo e, nesse movimento, expor a tensão entre ambos. É assim que ao investigar o fazer pelo gesto procura continuá-lo como tal na pintura apesar da descontinuidade intransponível entre um gesto e a marca que ele deixa. Ou que, ao destacar o fazer por justaposição, não cria colagens com elementos discretos, mas amálgamas ou fusões das mais diversas coisas, em que há um contínuo ato de agregar. Do mesmo modo, quando alude a potências cósmicas como criadoras das obras, garante uma continuidade entre elas e seus vestígios sensíveis através de um hábil contraponto entre o evidente e o enigmático. Já, quando aborda o fazer pela relação entre modelo e cópia, as diferentes escalas ganham fluidez e continuidade no jogo da imaginação que é oferecido ao espectador. Mas, se a fórmula dar continuidade ao descontínuo soar abstrata - como se fosse um problema matemático, filosófico -, talvez baste, para torná-la concreta, olhar uma de suas obras, em que qualquer destroço, fragmento, resto, no fim das contas, mas só no fim das contas, é salvo de seu naufrágio. E quem sabe mesmo experimentar o sentimento único, próprio da arte e de não muito mais, de que os retalhos, a descontinuidade e a finitude da vida deságuam num curso maior, ininterrupto e contínuo como o suceder das gerações.

Fonte: TASSINARI, Alberto. Gestar, justapor, aludir, duplicar. In: TASSINARI, Alberto MAMMÌ, Lorenzo NAVES, Rodrigo. Nuno Ramos. São Paulo: Ática, 1997, p. 16-29.

Muitas obras já foram chamadas de &ldquomatéricas&rdquo. O trabalho de Nuno Ramos, porém, é matérico num sentido peculiar: nele, a matéria não é massa passiva em que o gesto do artista se imprima, como na arte informal não carrega de imediato um significado místico ou intelectual, como em Beuys ou na Arte Povera não é mero resto, dejeto, aquilo que de maneira nenhuma pode ser formalizado, como nas mais recentes poéticas do informe. É matéria universal, o substrato amorfo a partir do qual as formas surgem e desaparecem, aquilo que permanece intocado abaixo de nós o limite do mundo, enfim, se o mundo é feito daquilo que pode ser nomeado.
Não é tarefa fácil, mostrar o que não pode ser nomeado. Não é possível pensar a matéria sem forma. O informe não pode ser imaginado, a não ser como fusão ou dissolução de formas. Entre 1988 e 91, as pinturas de Nuno reuniam materiais diversificados, que porém eram reconduzidos, pelo processo de &ldquopintura&rdquo, a uma homogeneidade densa e pegajosa. Sedutores e ao mesmo tempo repulsivos, esses trabalhos revelavam a atração aniquiladora que a unidade profunda exerce sobre a diferenciação superficial.
No entanto, ainda havia algo mecânico nesse processo, porque a unidade era obtida graças a elementos aglutinantes, como a tinta e a parafina. Progressivamente, Nuno reduziu a presença deles, e passou a trabalhar por simples justaposição. Nos últimos quadros da primeira fase, e sobretudo na nova série desses últimos anos, as cores são mais vivas e contrastantes, os volumes se projetam com maior decisão. Temos aí coisas que podem ser enumeradas: uma linha, uma superfície um vidro, um tecido, uma folha. Justamente por isso, porém, é mais assustadora a força com que elementos tão disparatados se reduzem a uma coisa só no ato da visão não por equilíbrio das partes, mas porque, ao olhá-los, deles aflora uma substância comum.
É uma solução feliz e difícil, alcançada apenas em anos recentes. Antes disso, Nuno passou por uma fase em que os elementos da obra já não se fundiam e confundiam entre si, mas, ao contrário, se enrijeciam em unidades carregadas de significado. É a fase de 111 Mácula Craca Via Láctea trabalhos decididamente alegóricos. Na alegoria, o signo adquire uma fisicidade especial, porque o sentido não é compreensível de imediato, mas demanda uma decifração. Os caracteres só ganham corpo se a escrita é ilegível. São exemplares, nesse sentido, os textos em parafinas sobre vidro, produzidos por volta de 1992. As letras são mais corpóreas, justamente porque estão próximas da liquefação. Mais opacas, porque beiram a transparência. A matéria, nesse caso, é o lugar onde o signo escapa ao significado.
Há, finalmente, as peças em mármore dos últimos anos e, por último, a sugestiva metáfora do Schakelton o título alude a um navegador cujo barco encalhou no gelo da Antártida. Encalhar-se é choque entre corpos e, ao mesmo tempo, fusão que paralisa. A madeira flutuante do casco prende-se à rigidez geométrica da terra. Certamente, há aqui uma agitação que não se encontra nos trabalhos em mármore. No entanto, nestes também há algo de encalhe. O vidro soprado acomoda-se à pedra não porque ali esteja à vontade, mas porque não há outro lugar para onde ir e a pedra lhe resiste não por vontade de domínio, mas porque é densa demais para se mexer. O polimento contrasta com a definição frouxa dos contornos. Após a metamorfose e a alegoria, Nuno Ramos parece ter encontrado uma terceira maneira de revelar o substrato das coisas: uma formalização interrompida, incompleta. Liquefação e transformação ainda são sugeridas, mas de maneira aforística. O matérico, aqui, está no osso.

Fonte: Lorenzo Mammì
Publicado em Bravo!, ano 3, n. 30 (março 2000), p. 109, sob o título: O limite da matéria.

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