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Antonio Saggese


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BIOGRAFIA

Antonio Saggese (São Paulo SP 1950)

Fotógrafo.

Antonio José Saggese começou a dedicar-se à fotografia em 1969, um ano antes de ingressar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, FAU/USP. Formado em 1976, nunca exerce a profissão de arquiteto. Realiza fotografias de arquitetura, urbanismo e de obras de arte. Desde o fim dos anos 1970, leciona fotografia em várias instituições de São Paulo, como o Instituto de Arte e Decoração - Iade, o Sesc Pompéia e o Centro de Comunicações e Artes do Senac. Atua como fotógrafo profissional - no campo da moda e da publicidade - a partir dos anos 1980. Em 1983, recebe bolsa do governo italiano e faz estágio de aperfeiçoamento em Milão. Recebe o prêmio de melhor trabalho em cor na 1ª Quadrienal de Fotografia do Museu de Arte Moderna de São Paulo,1985; o de melhor exposição de fotografia da Associação Paulista de Críticos de Arte, 1988; a bolsa Vitae de Fotografia, 1992; o Prêmio Estímulo da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, 1994; e, por duas vezes, a bolsa Marc Ferrez da Fundação Nacional de Artes, 1986 e 1995. Em 2005, é publicado pela editora Cosac & Naify livro Antonio Saggesse, com texto de Maurício Lissovsky.

Comentário Crítico

Antonio Saggese parte de conceitos relacionados à história da fotografia, como sua caracterização como documento, ou registro de um determinado momento. Em suas imagens é constante a presença de fotografias dentro de outras: figuras que olham para o espectador, em um jogo de espelhos. Trabalha freqüentemente com séries como aquelas realizadas em cemitérios, serrarias ou oficinas mecânicas. Nas fotografias dedicadas a lápides de cemitérios, a estranheza provém da apreciação da procissão de rostos envoltos em uma atmosfera grave, apresentando imagens modificadas pela ação do tempo. Também na série de fotos de paredes de serrarias o fotógrafo registra objetos reunidos por pessoas simples, associados a imagens de conteúdo erótico, religioso ou comercial.

Na série Mecânica do Desejo (1988) apresenta fotos eróticas pregadas nas paredes de oficinas mecânicas. Nelas Saggese enfatiza as relações entre a passagem do tempo, o papel perecível da fotografia e sua utilização na construção de um imaginário erótico.

Críticas

"(...) Nessa série de 13 fotos realizadas em interiores de oficinas mecânicas, Antonio Saggese tem uma estranha maneira de atribuir o lugar do erótico: uma especialidade sem volume, sem a generosa doação da presença dos corpos. Aqui as peles brilham como os metais e as partes dos corpos se articulam com a mesma lógica dos fragmentos das oficinas. Cordas, borrachas, correias e chaves são, como os membros, índices de um suposto funcionamento geral que possivelmente nem mesmo existia. 
A pertinência dos trabalhos ao campo da fotografia (no qual eles se posicionam com uma inteligência meio desconfiada), e ao próprio campo da cultura visual contemporânea, reside na ambigüidade imediata em que eles mergulham o observador, e assim no tipo de olhar singular, distanciado, que dele reclamam. Porque diante dessas fotos o observador desliza entre a possibilidade de se engajar no imaginário que ali foi rigorosamente constituído, de render-se ao sucesso do dispositivo técnico colocado a serviço da precisão e do refinamento da imagem, de sua qualidade estética, enfim, e, numa direção inversa, a de manter-se em despojada neutralidade perante essas totalidades de sentido que a fotografia logo tende a estabelecer, enfrentando a experiência puramente visual e o conseqüente esvaziamento e indiferenciação daquele imaginário".
Sônia Salzstein Goldberg
Antonio Saggese: fotografias. Ribeirão Preto: Ribeirão Shopping, 1989.

"(...) O trabalho de Saggese mostra que esse voyeurismo disfarçado é um dos elementos básicos da sedução fotográfica. Não por acaso a fotografia gratifica os sentimentos eróticos daqueles para quem o desejo se torna mais intenso com a distância.

A morte é revelada como a essência do processo fotográfico. A idéia de que as fotos preservam o passado é a última fortaleza da teoria da foto como espelho da realidade. Mas as fotografias não sobrevivem às pessoas que registram. Pelo menos não por muito tempo".
Ricardo Anderáos
Anderáos, Ricardo. Morte e erotismo decodificam a linguagem fotográfica. Folha de S. Paulo, São Paulo, 12 jun. 1991.

"A afinidade entre o muro e a paisagem, criada pelos artistas pré-rafaelistas, é retomada no trabalho fotográfico de Antonio Saggese. São várias séries: oficinas mecânicas, serrarias e cemitérios. Em todas, paredes cobertas por fotografias. Calendários, recortes, retratos. A fotografia é sempre vista na parede em que está fixada. Ex-votos, cartazes de propaganda eleitoral, avisos de serviços e oportunidades - imagens já feitas para ser coladas na parede. Não têm a autonomia de uma fotografia convencional, só existem em função do contexto, como parte de uma superfície que se prolonga para além dela: o muro.

Os calendários de fotos eróticas em oficinas mecânicas e marcenarias estão recobertos de graxa e pó, rasurados, gastos pelo tempo. Pregos estrategicamente fincados, anotações e outros papéis sobrepostos vão contando a história da exposição daquelas imagens. Serrotes pendurados mal deixam entrever a esmaecida silhueta atrás. Convívio brutal entre a delicadeza dos modelos femininos e do papel perecível das imagens e a agressividade dos tornos, das barras de ferro, das peças cheias de óleo e pneus. As ferramentas penduradas sobre as fotos delineiam o imaginário sadomasoquista dessas mecânicas do desejo".
Nelson Brissac Peixoto
PEIXOTO, Nelson Brissac. Paisagens urbanas. São Paulo: Senac, 1996.

Exposições Individuais

1988 - São Paulo SP - Mecânica do Desejo, no MIS/SP
1991 - São Paulo SP - Mecânica do Desejo, no Masp
1991 - Rio de Janeiro RJ - Mecânica do Desejo, no MAM/RJ
1995 - Curitiba PR - À Sua Imagem e Semelhança, na Fundação Cultural de Curitiba
1998 - São Paulo SP - Galo na Sopa: fotografias Antonio Saggese, na Passagem Subterrânea da Consolação
2001 - São Paulo SP - Meus Olhos, no Centro Universitário Maria Antonia

Exposições Coletivas

1972 - São Paulo SP - 6ª Jovem Arte Contemporânea, no MAC/USP
1972 - São Paulo SP - O Fotógrafo Desconhecido, no MAC/USP
1973 - São Paulo SP - Fotogramas, na Galeria Enfoco
1974 - São Paulo SP - Seis Arquitetos Fotógrafos e Paisagem Urbana, no IAB/SP
1975 - São Paulo SP - 13ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1976 - Rio de Janeiro RJ - Missa do Vaqueiro, na Galeria Graffiti
1976 - São Paulo SP - A Grande São Paulo, no Masp
1976 - São Paulo SP - Bienal Nacional 76, na Fundação Bienal
1978 - São Paulo SP - 1, 2, 3, 4 Seu Retrato, no Sesc Vila Nova
1978 - São Paulo SP - Retratos em Alcântara, no Sesc Vila Nova
1979 - Rio de Janeiro RJ - 1ª Mostra de Fotografia, na Funarte. Galeria de Fotografia
1979 - Rio de Janeiro RJ - Nossa Gente, na Funarte
1980 - Cidade do México (México) - 2º Colóquio Latino-Americano de Fotografia
1980 - Rio de Janeiro RJ - Classe Média, na Funarte
1980 - Santos SP - Desconhecidos Íntimos, na Galeria Retrato de Santos
1980 - São Paulo - Desconhecidos Íntimos, na Photo Galeria de São Paulo
1981 - Paris (França) - A Fotografia Contemporânea na América Latina, no Centro Georges Pompidou
1981 - São Paulo SP - Brás, Museus de Rua - Largo do Gasômetro, na SMC/DPH
1982 - Havana (Cuba) - 3º Colóquio Latino-Americano de Fotografia
1982 - São Paulo SP - Contato, na Pinacoteca do Estado
1983 - São Paulo SP - Água, no Sesc Pompéia
1983 - Milão (Itália) - Diaframma, na Galleria II
1984 - Milão (Itália) - Diaframma, na Galleria II
1984 - Gênova (Itália) - Fotoamérica 84
1985 - São Paulo SP - 1ª Quadrienal de Fotografia, no MAM/SP - melhor trabalho em cor
1986 - Washington (Estados Unidos) - Brasilian-American Cultural Institute
1987 - Belo Horizonte MG - A Imagem do Corpo Nu
1987 - Rio de Janeiro RJ - A Imagem do Corpo Nu, na Funarte
1987 - São Paulo SP - A Imagem do Corpo Nu, no MIS/SP
1987 - São Paulo SP - Delirium Sucata, Exposição de Jóias, na Galeria Ornamentum
1988 - Rio de Janeiro RJ - Brasil, Cenários e Personagens, na Funarte
1989 - Campinas SP - Coletiva, no MAM/Campinas
1989 - Milão (Itália) - Coletiva, na Ken Dammy Photogallery
1989 - Rio de Janeiro RJ - Coletiva, na Funarte
1990 - Belém PA - Coletiva, na Fundação Tancredo Neves
1991 - Arles (França) - Rencontres Internationales de la Photographie
1991 - Curitiba PR - Coletiva, na Fundação Cultural de Curitiba
1991 - São Paulo SP - 1ª Coleção Pirelli/Masp de Fotografias, no Masp 
1992 - Houston (Estados Unidos) - Photofest
1992 - Zurique (Suíça) - Brasilien: entdeckung und selbstentdeckung, no Kunsthaus Zürich
1994 - Rio de Janeiro RJ - Fotografia Brasileira Contemporânea, no CCBB
1994 - San Francisco (Estados Unidos) - Contemporary Brazilian Photography: a selection of photographs from the collection of Joaquim Paiva, no Yerba Buena Center for the Arts 
1994 - São Paulo SP - 1ª Arte Cidade: cidades sem janelas, no Matadouro Municipal da Vila Mariana 
1994 - São Paulo SP - A Fotografia Contaminada, no CCSP
1995 - Rio de Janeiro RJ - Fotografia Brasileira Contemporânea, no CCBB 
1996 - Bogotá (Colômbia) - Imagenes de Brasil. Coleção Pirelli/Masp de Fotografias, na Casa do Brasil 
1996 - Buenos Aires (Argentina) - Imagenes de Brasil. Coleção Pirelli/Masp de Fotografias, no Museo Nacional de Bellas Artes
1996 - Caracas (Venezuela) - Imagenes de Brasil. Coleção Pirelli/Masp de Fotografias, no Museo de Arte Contemporáneo de Caracas Sofía Imber
1996 - São Paulo SP - Os Limites da Fotografia, no Sesc Pompéia
1997 - Havana (Cuba) - 6ª Bienal de Havana, no Centro de Arte Contemporáneo Wifredo Lam
1998 - Belo Horizonte MG - Crônicas Urbanas, no Itaú Cultural
1998 - Brasília DF - Crônicas Urbanas, na Galeria Itaú Cultural 
1998 - Penápolis SP - Crônicas Urbana, na Galeria Itaú Cultural 
1998 - Rio de Janeiro RJ - A Imagem do Som de Caetano Veloso, no Paço Imperial
1998 - São Paulo SP - Crônicas Urbanas, no Itaú Cultural
1998 - São Paulo SP - Viagens, no Itaú Cultural
1999 - Wolfsburg (Alemanha) - Brasilianische Fotografie 1946 bis 1998, no Kunstmuseum Wolfsburg
2001 - Oxford (Inglaterra) - Acts of Faith: brazilian contemporary photography, no The Ashmolean Museum of Art and Archaeology
2001 - São Paulo SP - Prêmio Porto Seguro de Fotografia, no Espaço Porto Seguro
2001 - São Paulo SP - Antonio Saggese e Jac Leirner, no Centro Universitário Maria Antonia
2002 - São Paulo SP - México Imaginário: o olhar do artista brasileiro, na Casa das Rosas
2002 - São Paulo SP - Ópera Aberta: celebração, na Casa das Rosas
2002 - São Paulo SP - Visões e Alumbramentos: fotografia contemporânea brasileira da coleção Joaquim Paiva, na Oca
2003 - São Paulo SP - Labirintos e Identidades: a fotografia no Brasil de 1945 a 1998, no Centro Universitário Maria Antonia
2004 - São Paulo SP - (Des)construindo São Paulo, no MIS/SP 
2004 - São Paulo SP - Panoramas SP, no MIS/SP

Fonte: Itaú Cultural

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